Neste DIA DOS PAIS, é hora de falarmos sobre como é ser “pai em dobro”.

Papais de gêmeos, um convite: vamos falar (ainda) mais sobre nosso universo gemelar?

Entrevistamos dois papais que compartilham suas histórias no Instagram – Xande Barranco, do @manualdopapai, e Jerônimo Vieira, do @casalcrosspolice – e pedimos para relatarem as dores e as delícias de serem pais de gêmeos.

E mais: os 3 papais da Me Two, maridos do trio de idealizadoras da Me Two, relatam seus momentos mais engraçados ou marcantes como pai de gêmeos, aquela saia justa inconfessável que nem as esposas sabiam que eles já tinham passado! Confira a seguir e depois de ler tudo venha contar pra gente a sua história também! Nosso e-mail é fale@metwo.com.br e estamos em todas as redes sociais como @gemeosmetwo.

Alexandre (@manualdopapai) e os gêmeos – Foto: @amoremfotokids

Xande Barranco, 41 anos, do @manualdopapai, pai dos gêmeos Maitê e Benício, 10 meses, casado com a Rafaela Barranco, 32 anos

“Uma vez me disseram: ‘Gêmeos? Que maravilha.! Você ganhou na loteria da vida!’. E não é que essa pessoa tinha razão? Desde o dia do ultrassom quando o médico disse que eram dois bebês, meu coração se encheu de alegria. E também de dúvidas, incertezas e curiosidade para saber como seriam nossas vidas dali pra frente. Nossa família passaria de 2 para 4 pessoas, simplesmente dobraria. Acompanhei minha esposa em todas as consultas para ouvir o coraçãozinho deles, uma alegria imensurável imaginar como seriam seus rostinhos.
Quando nasceram meu coração transbordou de felicidade! Fiz questão de, ainda no hospital, dar o primeiro banho e trocar a primeira fralda deles. Como não tivemos rede de apoio, no início foi muito difícil. Mas eu tinha flexibilidade de horário de trabalho e conseguia sair mais tarde de casa ou chegar mais cedo para tentar dar o apoio necessário para minha esposa e os bebês. Foram muitas fraldas trocadas, muitos banhos dados, muitas noites mal dormidas. Não vejo isso como sacrifício, vejo que crio uma conexão entre eu e meus filhos. Adoro chegar em casa para ficar com eles, trocar fraldas, dar banho e brincar.
Sim, teve também muito choro. Dos bebês e também do papai e da mamãe. Quantas vezes nos pegamos chorando e pensando: ‘E agora, o que vamos fazer?’ Nesse momento foi importante a cumplicidade do casal, onde um apóia o outro em um momento difícil e diz: ‘Tudo vai passar’. E não é que passa mesmo?
Depois de todas as dificuldades encontradas e que passamos juntos, admiro e amo ainda mais a minha esposa.
Ser pai de gêmeos é andar em uma montanha-russa todos os dias, choros e estresse muitas vezes, mas também risos e carinhos são dobrados. Os dias se tornaram intensos, mas o amor toma conta de mim, e transborda os meus lábios com orações de gratidão por ter recebido esse presente e missão.”

“Tivemos uma jornada dupla com duas duplas e foi pesado no começo!”

Jerônimo Vieira, do @casalcrosspolice, pai de Zion e Thor, 10 anos, e padrasto de Théo e Henrique, 15 anos. Casado com Ana Cláudia, do perfil @duasvezesmaedegemeos

“Conheci a Ana por uma amiga em comum. Na primeira vez, não ficamos. Fui olhar as redes sociais e vi que ela tinha filhos gêmeos pequenos. Achei aquilo bem diferente porque não fazia parte da minha realidade, mas não falei nada. Depois disso começamos a ficar e um dia acabou a bateria do carro dela, me chamou para socorrer. E aí então foi a primeira vez que fui à casa dela e encontrei os dois pequenininhos. Fiquei encantado! Foi paixão à primeira vista, eles gostaram de mim de cara, começamos a brincar, tinham 2 anos. Um ano depois a gente decidiu morar junto e já estávamos muito próximos, mas eu ainda não pensava em ter filhos e Ana também não falava em ter mais. Nós fomos para um lar de dois quartos, um para o casal e outro para os gêmeos. E então Ana descobriu que estava grávida de novo! Achávamos que seria só um, e então veio a surpresa de que eram dois! Eu saí de solteiro para pai de 4 crianças em questão de 1 ano e pouco. Nem tive tempo de pensar muito, as coisas foram simplesmente acontecendo. E a gravidez foi complicada por conta dos tipos sanguíneos diferentes dos bebês e da Ana. Nesse meio tempo também estávamos planejando o casamento, organizando a festa, em plena gravidez. Thor e Zion nasceram em 2009, foi um parto complicado, nasceram de 33 semanas e ficaram 44 dias na UTI. Quando tiveram alta, o primeiro encontro deles foi emocionante, é simbólico, quebrou todos os tabus que a gente acreditava. Vimos como os gêmeos se ligam entre eles! Têm muito menos egoísmo do que nós que não somos gêmeos.
Então começou nossa rotina. Tive só 8 dias de licença-paternidade, voltei a trabalhar. Ana teve que se desdobrar em 4, mesmo com ajuda da sogra e da mãe dela. Eu voltava do trabalho e me dividia para banho, fralda, mamadeira, tudo o que precisava. Foi quando eu descobri o que era ser pai de gêmeos, acordar de madrugada… Confesso que no início foi bem pesado: tinha duas jornadas duplas, com bebês e as crianças de 5 anos. Os primeiros meses não foram de muitas alegrias não. Mas a gente procurava fazer atividades só eu e a Ana quando dava. Mudamos para um apê maior e depois foi a questão do carro, de comprar um para todos. O nosso aprendizado é equilibrar tudo, cuidar deles e também cuidar de nós. Aprendi a fazer tudo o que Ana fazia (eu não sabia fazer muita coisa) para ela ter a liberdade dela, realmente dividir as tarefas. Tenho muito orgulho de contar essa história! Sou grato a todos que fizeram o possível para ajudar, do nascimento aos dias de hoje! Em especial à minha mãe querida que reformou a casa para nos receber com todo carinho e amor, pensando sempre em ajudar e no conforto da família, e da minha sogra que praticamente cuidou dos gêmeos mais velhos durante todo o tempo em que os pequenos estavam na UTI. Sem ajuda delas, tudo seria muito mais difícil.”

 

Diego com Franco e Martin (ou será o contrário?)

“Saí de casa com um gêmeo achando que era o outro”

Diego Viola Marty, advogado, pai do Franco e do Martin, 5 anos, marido da Elisa Scheibe Marty, coidealizadora da Me Two

“Os meninos tinham um ano e meio. Elisa havia acabado de dar banho em um dos guris e outro estava no banho ainda. Eu precisava ir à farmácia que fica a 50 metros da nossa casa, então chamei meu filho que já vestido: Martin, vamos comigo! E ele foi. Fomos caminhando e conversando. Cheguei e estava comprando leite em pó, eu chamando Martin pra cá, Martin pra lá… Quando uma mulher atrás de mim me chamou a atenção. ‘Pai, eu conheço os gêmeos e acho que esse é o Franco.’ Olhei para meu filho e perguntei: ‘tu é o Franco?’ E ele respondeu: ‘sim!’. Fiquei morrendo de vergonha, o pai que não percebeu naquele dia a diferença entre um e outro gêmeo!”

“Pai de gêmeos tem que aprender a improvisar”

André Fam Beiler, empresário, pai do Nicholas e do Thomas, 4 anos, marido da Thais Reali, coidealizadora da Me Two

“Faço muitos programas sozinhos com os guris, a Thais viaja bastante a trabalho. Sempre que estou com a dupla nos finais de semana e saímos para almoçar, chego aos lugares só com os dois e tenho a nítida sensação do pessoal olhar e pensar: ‘Esse aí é pai divorciado e este é o dia de ficar com os filhos’ (risos). Também levo muito os meninos aos jogos do Grêmio, só nós 3 juntos, desde pequenos. Muitos se surpreendem, mas aprendi a dar conta. Uma vez quase me dei mal: começou a cair uma chuvarada na hora de ir embora! Tive que improvisar, não me apertei: fui ao banheiro, pedi para a moça da limpeza dois sacos de lixo, fiz um furo para passar as cabeças e coloquei um em cada gêmeo. E outra coisa de pai: eles aprenderam que no estádio podem falar palavrão! Chegam lá e me perguntam: ‘Pai, agora pode dizer nome feio?” (risos). Sem falar nas fotos com ‘cara de mau’ durante o jogo!”

Bruno com Isabela e Gabriel

“Temos que planejar momentos sozinhos com cada um dos filhos”

Bruno Schneider, administrador de empresas, pai da Isabela e do Gabriel, 6 anos, marido da Vanessa Rocha, coidealizadora da Me Two

“Até os 4 anos de idade, Isabela e Gabriel faziam tudo sempre juntos, me acompanhavam em todos os lugares. Depois de um tempo o Gabriel passou a querer ficar mais em casa. Na primeira vez que saímos sem ele, foi para uma ida ao supermercado. Ele ficou com a mãe em casa e Isabela pediu para levar uma boneca e o carrinho de brinquedo junto. No carro, na ida, ela lamentou que ele não estava junto. Sentou no banco de trás, colocou cinto nela e na bonequinha e começou a conversar com o irmão, que não estava ali. ‘Tá bom, mano, pode ir dormindo até lá se quiser’. E eu surpreso: ‘Isabela, o que é isso?’ Ela respondeu: ‘Finge que ele está aqui, papai’. Ou seja, ela não se aguentou, não soube como lidar, e eu entrei no lúdico dela.
Ainda nessa questão de trabalharmos a individualidade deles, começamos a planejar termos momentos com cada um. Com o Gabriel, pensei em criar um ritual só de meninos, como ir juntos cortar o cabelo na barbearia. Desde a primeira vez achou o máximo! Mas e então o que aconteceu? Chegou em casa e contou que era incrível! A partir daquele momento a Isabela também passou a querer ir sempre junto (risos). E já aconteceu até de ela ir sozinha comigo e ele não!”

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