“Agosto Dourado” é o mês dedicado a incentivar e apoiar a amamentação.

E a Me Two sabe que toda mãe de gêmeos precisará de apoio em dobro para este período tão delicado da maternidade que é o aleitamento materno.

Hoje a Me Two em parceria com a Alô Bebê traz depoimentos de quatro mães que vivenciaram a amamentação de formas bem distintas. Desde a exclusiva no peito, a mistura de complemento com peito e o aleitamento somente com fórmula na mamadeira, temos histórias que vão tocar seu coração <3 e fazer você entender que não estamos sozinhas!

“Minha mente repetia: amamentação exclusiva em livre demanda”

Eduarda Devantier, 28 anos, advogada, mãe dos gêmeos Pedro e Sophia, 1 ano e 8 meses

“Durante a gestação, li muito sobre amamentação, todos os artigos, informações, dicas e relatos. Procurei entender os mitos e as verdades, o que poderia atrapalhar e o que ajudaria. Procurei grupos de apoio nas redes sociais com diversos relatos de mães de gêmeos que descreviam ser possível a amamentação em dose dupla. No dia do parto, os desafios iniciaram, porém a bagagem de informação acumulada fazia com que a minha mente involuntariamente repetisse “amamentação exclusiva em livre demanda”. E assim seguimos firme. Nos primeiros dias o leite demorou a descer, os bebês choravam bastante. Sophia não acordava para mamar, devido à baixa da glicose e ali ficávamos por um longo tempo tentando fazer com que mamasse. Nas primeiras consultas, começaram as comparações com o peso, Pedro não estava ganhando a quantidade esperada. Com o apoio fundamental da pediatra que cuidava dos bebês, passamos a oferecer duas vezes o mesmo peito antes de revezar de mama, a fim de que eles pudessem sugar o leite “magro” e o leite “gordo” do mesmo peito, garantindo o aumento de peso adequado. E o resultado foi um sucesso. O ganho de peso estabilizou. A partir dos 4 meses consegui ter confiança o suficiente para colocar os dois mamando ao mesmo tempo, o que facilitou muito a vida de todos, otimizando o tempo de mamada. Depois disso, seguimos firme pelos longos 6 meses de amamentação exclusiva, sem uso de bicos ou fórmulas artificiais. Se foi cansativo? Muito! Porém, recompensador demais.
Após o início da introdução alimentar, seguimos com amamentação em livre demanda em conjunto com todos os alimentos que podiam ser oferecidos a eles, e assim seguimos até os dias atuais. 1 ano e 8 meses de muito tetê. Hoje eles mamam deitados, sentados, em pé, em todas as posições possíveis. Em nosso dia a dia muitas pessoas questionam admiradas acerca da possibilidade de amamentar gêmeos. E, com muito orgulho, posso dizer que sim, é possível. Com muita persistência, resiliência e acima de tudo, muito amor. Por aqui seguimos firme no tetê, até quando eles quiserem.”

“Consegui amamentar por 1 ano intercalando peito com complemento”

Annie Muller, empresária, 33 anos, mãe dos gêmeos Arthur e Gabriel, 1 ano e 8 meses

“As mães de gêmeos têm um desafio duplo e temos que ser perseverantes. Comecei pela tentativa de amamentar exclusivo, mas logo vi que não seria tão possível quanto sonhava. Meus bebês tinham muita fome. Então me vi sendo obrigada a quebrar esse paradigma de preconceito com a mamadeira. Confesso que sentia até ciúmes, ficava nervosa quando um estava no peito e outro na mamadeira, queria sempre priorizar o peito! E então vem esta quebra de mitos. A nossa prioridade é o bebê saudável, e foi assim que optei por intercalar ambos os jeitos. A mamada dupla que eu achava tão estranho antes de tê-los vi que favorecia ainda mais a conexão que os dois tinham. Sem falar na otimização do tempo! Passei a fazer algo que super indico: em vez de intercalar um no peito e outro na mamadeira, para eles terem mais contato, eu sempre dava o peito simultaneamente para ambos e depois mamadeira complementando. Também a posição para ambos ficarem confortáveis e eu também. Optei pelo jeito em que os bebês ficavam de frente, como se fosse formando um V, com a cabecinha e as perninhas assim. E seguimos desta forma até 1 ano e 1 mês. E é possível sim fazer a amamentação dupla sozinha, pelo menos enquanto são levinhos. E preciso salientar que foram também muitos os desafios de encontrar o complemento certo: foram 3 tentativas até dar certo, até encontrar o que fizesse bem para eles.”

“Lembro de pedir a Deus naqueles momentos para conseguir amamentá-las na UTI”

Denise Soares, ex-bancária, 30 anos, mãe das gêmeas Clara e Manuella, 2 anos e 4 meses

” Todas as mulheres têm esse desejo, mas confesso que nunca tive muito a expectativa de amamentar, pois não tinha parado para pensar nisso. Minha gestação foi complicada, entrei em trabalho de parto com 28 semanas e fiquei internada até elas nascerem, fiquei mais focada em conseguir segurar ao máximo a gestação para não nascerem tão prematuras. O parto foi com 32 semanas e 5 dias e foram para a UTI. Até então, eu nunca tive colostro nem nada. Um dia depois vi que meu vestido estava todo molhado, era quando o leite tinha descido, meus seios incharam muito, tive febre, calafrios e tudo. Fui ao lactário e tirei um pouco de leite, pois tinha muito até. Já na UTI, fui amamentá-las e elas pegaram de primeira! Mas como eu não tinha muito o bico do peito, usei o bico de silicone para ajudar. Lembro de pedir a Deus naqueles momentos para conseguir amamentá-las pelo menos enquanto estivessem na neonatal, pois sabia como era importante nesse período por conta da imunidade delas. Eu ficava revezando uma de cada vez, por normas do hospital, não era permitido as duas ao mesmo tempo. A outra que não estava mamando no peito tomava o leite do lactário. Com 17 dias a Manu teve alta primeiro e foi para casa primeiro. E aí foi o período mais difícil de ficar revezando idas para a casa e para o hospital, congelando leite, tentando amamentar as duas. Tive muita culpa por conta de tudo isso, mas cheguei até a desenvolver depressão pós-parto devido a toda essa situação. A pediatra orientou a complementar, algo que talvez hoje eu não faria, pois eu realmente eu tinha muito leite, chegava a pingar na hora do banho. Elas começaram a querer mais a mamadeira do que o peito. Com dois meses e meio de vida, elas pegaram bronquiolite e a Clarinha precisou de internação. Nesse período não saí do lado dela no hospital, foram 12 dias com ela na UTI. Até que meu leite secou de vez. Carreguei muito essa culpa dentro de mim. Tudo isso foi um grande aprendizado, não podemos nos comparar com outras pessoas. Quando eu lia nas redes sociais mães dizendo que amamentavam exclusivo, eu me sentia mal, mesmo sabendo que tinha feito tudo o que era possível.” 

“Fiquei muito ansiosa e meu leite não fluía”

Danielle Diel da Silva Dornelles, 32 anos, mãe da Sofia e do Joaquim, 2 anos e 8 meses

“Minha experiência com amamentação foi inicialmente bastante frustrante porque sou enfermeira e na minha área é muito forte a questão do aleitamento materno. Inclusive a maioria das profissionais que atuam como consultoras de amamentação são enfermeiras, estudamos a fundo isso e passamos a vida repetindo estes clichês de que todo mundo tem leite, de que amamentar é natural… E infelizmente eu não consegui quando chegou a minha vez. Os bebês nasceram prematuros, ficaram na UTI neonatal, fiquei bastante ansiosa e com isso meu leite não fluía. Usei medicação, fiz orientação com consultoria de amamentação, fiz de tudo e simplesmente meu leite não vinha. Ou bem pouquinho e mais nada. Os bebês então começaram com fórmula na UTI mesmo, poucas vezes consegui ordenhar quantidades que dessem para alimentar um deles. Quando chegou o momento de ir para o peito, eles foram colocados para mamar, faziam a pega correta, mas eles sugavam um tempo e paravam e choravam. Minha obstetra me disse que isso não era tão incomum, que ela já tinha visto mais de uma paciente na mesma situação. E que isso não tinha mesmo muita explicação, podia ser algo físico (eu tenho prótese de silicone) ou algo emocional, mas o fato é que não fluiu. Quando levei os bebês pra casa, segui estimulando, mas dando a fórmula como alimento principal. O momento crucial foi quando eles tinham 45 dias, em uma consulta com a pediatra, ela me orientou a não me estressar com isso. Os bebês estavam ganhando peso e se desenvolvendo bem. Então ela falou algo que me marcou: tem mães que amamentam no peito e estão com a cabeça e os olhos em outro lugar, estão simplesmente oferecendo o seio para o filho. E você pode na mamadeira ter tanta conexão também, dando afeto e carinho, estando presente. Daquele dia em diante me libertei!”

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