Rede de apoio para famílias de gêmeos: dicas para construir a sua + histórias que vão além da avó materna

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REDE DE APOIO: qualquer pessoa que se disponha a ajudar. Suporte, auxílio, acolhimento, “mão na roda”, afeto. Cuidar dos seus filhos quando você não pode.

A expressão REDE DE APOIO é nova, mas o conceito é antigo. Credita-se às africanas o ditado “é preciso uma aldeia para criar uma criança”. Na prática, significa que, depois de termos filhos, precisamos de mais braços do que os nossos 4 de mãe-polvo e pai-polvo.

Podemos contar com vários tipos de redes – desde esta aqui que você tem, a ME TWO, onde você nunca está sozinha! – ou até rede de apoio paga, quando há condições financeiras de se ter uma babá ou funcionários.

A rede de apoio pode ser formada por pessoas que convivem com a família. Em geral, como observamos ao conversar com outras mães, sabemos que é a avó materna que quase sempre dá o primeiro auxílio. Mas aqui trouxemos histórias de famílias de gêmeos que têm suporte de muitos outros membros: avós, dindos, tios, vizinhos.

“Ah, Me Two, mas eu não tenho ninguém pra ajudar”

Calma que a gente ajuda: trazemos agora 5 dicas preciosas para você refletir e começar a formatar sua rede de apoio também! Quem elaborou com a gente essa lista foi a psicóloga Andressa Bortolini, mãe de gêmeas de 6 anos, a Catha e a Flor. Nós conhecemos a Andressa pessoalmente e sabemos que ela não se aperta quando precisa de ajuda. Spoiler: relacionamentos interpessoais são a chave para formar a sua própria rede também!

#1 – Socializar é uma habilidade a ser aprendida

O ser humano é um ser social por natureza. Precisamos desde o nascimento de um outro ser humano, inclusive para sobreviver. Dependemos de nossa mãe, precisamos nos relacionar e nos vincular. Este é o primeiro ponto sobre estabelecimento das relações. Socializar, portanto, é preciso.
“Algumas pessoas têm mais facilidade do que outras, mas é possível desenvolver esta habilidade. Isso passa pelo autoconhecimento: ter consciência do que você gosta, como reage às situações, o que faz bem para você e o que não faz”, indica a psicóloga.

#2 – Não se sinta “interesseiro” em pedir ajuda

Aqui vai uma reflexão mais ampla: todos nós, em todas as instâncias, somos interesseiros. Nós nos relacionamos com pessoas baseado em algum interesse. Pode ser interesse amoroso, interesse por afinidades, interesse profissional… Não pense no “interesseiro” no sentido de tirar proveito.
“A gente desenvolve amizade e cria vínculos, pois quero ver a outra pessoa feliz e vice-versa. Quero estabelecer uma relação, pois tenho interesse nela, para que a gente troque momentos e possa desfrutar juntos”, explica Andressa.
Na nossa sociedade auto-centrada, temos aquela noção egoísta de que, se alguém nos dá algo, ficamos com a sensação de estar devendo algo em troca. Então, não aceita nada de ninguém para não aceitar favores, pois vira uma obrigatoriedade.
Mas pense aqui com a gente: oferecemos apoio porque queremos bem ao outro, somos seres empáticos. Não se sinta mal por pedir ajuda para formar sua rede.

#3 – Saiba aceitar ajuda sem culpa

Assim, para “não ficar devendo favor”, você se fecha. Mas não é vergonha dizer que não dá conta. Um exercício é estar disposto a aceitar ajuda. Sabemos que nem sempre é assim, que nem sempre vai ter disponibilidade, mas muitas pessoas estão dispostas a ajudar.
“Em relações saudáveis existe essa troca mútua. As relações estão aí, basta que as pessoas se permitam enxergar e não se vitimizem”.
Ou seja, não adianta dizer que rede de apoio é uma mentira que não existe se você não permite estabelecê-la.
“Ninguém vai bater na porta da sua casa e oferecer ajuda. Ninguém vai adivinhar que você PRECISA. No começo vai ser difícil, mas se você se fechar e não olhar para todos os lados, não conversar, essa rede nunca vai ser formada”.

#4 – Pense nas possibilidades existentes

Antigamente todos sabíamos o nome dos vizinhos, as crianças circulavam pelo bairro com mais naturalidade, voltavam a pé do colégio. Hoje em dia, ficamos tão presos no nosso pequeno círculo de relações que parece difícil ampliar e socializar.
“Com as facilidades de ter uma rede de apoio paga, nós mesmos nos colocamos na situação de ficarmos sozinhos”, observa Andressa.
Ok, tem vezes em que é a única alternativa. Mas será que não dá para pensar além? Para a criança, será muito rico e interessante ir estabelecendo relações sociais desde cedo, convivência com outras pessoas, colega, primos, amiguinhos e mesmo vizinhos de diferentes faixas etárias.

#5 Comece por pequenos intervalos de tempo

Toda mãe precisa ter seu descanso. É a famosa analogia da máscara de oxigênio: a mulher precisa estar bem pra poder maternar com qualidade. Um exemplo fictício: qual o problema da mãe ir ao salão ficar duas horinhas pintar a raiz do cabelo branco enquanto os filhos estão na casa do amiguinho brincando e se divertindo? “É melhor isso do que a mãe emburrada se lamentando em casa e a criança na frente da TV”
Outro exemplo clássico: surgiu um imprevisto e você não tem com quem deixar os filhos. Você acaba recorrendo às soluções de sempre ou pagando uma profissional para ficar com as crianças, em detrimento de tentar pedir para uma vizinha, a mãe de um coleguinha levar para casa e depois você buscar.
É claro que você não vai deixar os filhos com alguém que você encontrou duas vezes na vida. Não só por questões de segurança, mas até por ver se fecha com seus valores, se seu filho se relacionou com a pessoa e se dá bem com os filhos dela também”, pondera a psicóloga.

Agora vem com a gente conhecer 3 histórias de mães de gêmeos que vão inspirar você a sair formando a sua própria!

Anaju e Karla com os gêmeos

“Tenho uma rede de apoio formada por uma pessoa, mas vale por muitas!”

Anaju Costa, 39 anos, mãe de Bernardo e Bento com seis meses de idade, de Petrolina, Pernambuco

“Sempre quis ser mãe! Sou casada com Karla há 10 anos. Em dezembro de 2018 fizemos a transferência de um óvulo e fecundou. Fiquei grávida de um menino! Na 12ª semana, para nosso susto e felicidade, o médico informou que estava tudo bem com o bebê… e seu gêmeo! O embrião havia se dividido. Medo e felicidade, pois moro longe da família. Virei mãe de UTI por três meses. Foi quando nasceu um padrinho maravilhoso chamado Jean, meu anjo da guarda. É amigo de infância de Karla. Nos dias de UTI, éramos ligados pelas orações. Desde que os gêmeos voltaram para casa, Jean pagou todas as promessas! Parei de trabalhar e cuido sozinha da dupla, minha companheira divide os cuidados à noite. Todos os dias Jean vê os afilhados. Organiza a casa enquanto estou com os gêmeos. Aos domingos, vem cozinhar e deixa tudo preparado e congelado para a comida da semana. Quando falta leite, grito e ele vem! Falta remédio, o dindo vem! Todo mês nos presenteia com seis pacotes de fraldas. Mas nada disso é mais lindo e repleto do que quando vejo os olhos dele com lágrimas quando olha para meus filhos. Tenho uma rede de apoio formada por apenas uma pessoa, mas esta pessoa vale por muitas!”

“Meu pai se aposentou para ajudar a cuidar dos netos”

Rafaela Zang, 36 anos, gerente de negócios, mãe de Antônio e Valentina, 9 meses – Porto Alegre, Rio Grande do Sul

“Quando engravidei e meu pai soube que seriam gêmeos, nossas vidas mudaram muito. Não só pelo aumento da família, mas principalmente porque o avô virou o melhor avô de todos. Em seu trabalho, no funcionalismo público, teve incentivo para a aposentadoria e não pensou duas vezes. Meu pai se aposentou para me ajudar a cuidar dos bebês. Ele é a minha base com a dupla! E isso desde os primeiros dias. O Antônio ficou um período da UTI, a Valentina foi para casa. Tive que me dividir em duas, mas se não fosse meu pai e minha mãe (que tirou férias) não teria conseguido. No começo, eu tinha até medo de dar banho nos bebês, pois eram tão pequeninos, mas meu pai assumiu a tarefa. Dava banho (e dá até hoje) e ainda faz até relaxamento com os netos.
Como minha carga de trabalho é extensa, das 9h às 19h, tenho babá como suporte e tenho meu pai que todos os dias passeia de carrinho com Antônio e Valentina, vai à floricultura perto de nossa casa… Eles amam estes passeios! Meus filhos têm a sorte de ter um avô incrível.”

“Minha vizinhas viraram amigas e madrinhas dos meus filhos”

Julianne Dowsley, 31 anos, advogada, mãe de Breno e Bernardo, 1 ano e 9 meses, de Salvador

“Meu marido já tem um filho mais velho, Pedro Henrique, de 17 anos, que eu crio desde os 4. Em Salvador não temos família. Minha mãe ficou 21 dias comigo após o nascimento dos meninos. Ela é psicóloga e tem 3 empregos: foi a primeira vez que conseguiu tirar férias simultâneas. Quando ela foi embora, chorei muito com medo de não dar conta. Passei perrengues sozinhas com os bebês muitas vezes porque não tinha ninguém pra me ajudar. Chorava, rezava, respirava fundo.
E então minhas vizinhas começaram a me ajudar. Viraram amigas e madrinhas dos meus filhos. Roberta, vizinha de porta, começou a ir quase todas as tardes. Dava mamadeira, colocava para arrotar, trocava fralda… Logo ela engravidou e precisou fazer repouso absoluto. Outra vizinha, Monique, tem gêmeas 10 meses a mais do que eu e sempre deu dicas preciosas, falava o que dava certo ou errado com elas. Ana também mora no mesmo condomínio. Começou a nos visitar e agora vai para a minha casa toda tarde me ajudar com eles. Descemos pra brincar, dá lanche, troca fralda e até já ficou com eles algumas vezes pra eu sair com meu marido sozinha. Tenho mais uma vizinha, Andressa, que é fotógrafa e registra tudo, desde meu ensaio gestante até o dia a dia dos meninos. Sempre que possível, nós todas fazemos lanches da tarde para conversar e as crianças brincarem juntas. Dá muita leveza para todas ter essa rede de apoio!”

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Camila Saccomori
Camila Saccomori
Jornalista de Porto Alegre e mãe da Pietra, nascida em 2011. Desde a gravidez, passou a produzir conteúdos femininos e voltados a famílias em vídeo, foto e texto. Trabalhou por 20 anos no Grupo RBS e hoje faz conteúdos para a Me Two e projetos de maternidade pelo seu novo "filho", o canal @VamosCriar.

1 Comment

  1. Priscilla disse:

    Gostei ,pois tenho gêmeas de 11meses e meio

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