Gêmeos por reprodução assistida: com vocês, as histórias de Fabiana Justus e Thais Reali

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Cada vez mais avançadas, as técnicas de reprodução assistida ajudam muitas mulheres a realizar o sonho da maternidade.

Hoje, trazemos com riqueza de detalhes dois relatos de duas mães de gêmeos que você deve conhecer, vai se identificar e se emocionar muito!

A influenciadora Fabi Justus e a nossa coidealizadora da Me Two, Thais Reali, abrem o coração e contam o passo a passo de toda a trajetória desde as tentativas de engravidar naturalmente até o procedimento que as levou a serem mães de duplinhas lindas, que enchem suas vidas de amor.

“Zero romântico transar com hora marcada”

Fabi Justus, mãe das gêmeas Chiara e Sienna, 6 meses

“Após 1 ano e meio de tentativas, em um processo muito longo e exaustivo, mas sempre pensando positivo, consegui ter a notícia mais esperada da minha vida. Vou contar em detalhes porque sei que meu depoimento pode ajudar muitas mulheres que estão tentando engravidar ou passando por métodos de reprodução assistida. Antes de tudo começar, eu estava tensa com meu trabalho, pensando no tempo que eu tinha, esperando saber se era a hora certa para ser mãe… A gente nunca se sente 100% preparada, dá um medinho! No Réveillon da virada de 2016 para 2017, meu marido e eu decidimos tentar. Fizemos mil planos e logo parei a pílula. Porém, eu tenho Síndrome do Ovário Policístico, desde que menstruei a primeira vez aos 13 anos já sabia e tomava pílula para controlar, pois isso é o que regulava meu ciclo. Lia muito sobre período fértil e a gente ia treinando, normal como qualquer casal. Logo no primeiro mês que não menstruei, já achei que era atraso e comprei testes de farmácia. Cinquenta dias depois e tudo seguia dando negativo. Fui ao médico para consultar: nem sinal de menstruação e nem de gravidez. Meus ovários estavam cheios de cistos e o endométrio fininho. Foram meses tentando naturalmente pra ver se meu ciclo regulava e nada. Comecei a tomar injeções para estimular a ovulação. O ginecologista indicou coito programado, que nome horroroso! Na prática é transar com hora marcada. Você todos os dias aplica injeção em si mesma, guarda na geladeira, aplica as doses certas… Nesse meio tempo o médico verifica se você está no período fértil e tem as orientações para a relação sexual. Isso tudo é zero romântico porque na hora você está com dor, inchada, com espinhas, não é o melhor momento. O que aconteceu foi que comecei a ovular muito e isso podia ser perigoso, pois havia risco de hiperestímulo ovariano, que é quando acumula líquidos na barriga e a mulher pode até ir parar na UTI. O médico mandou parar tudo, o que foi muito frustrante. Tudo em vão! Precisei esperar mais 30 dias para tentar de novo e evitar risco de torção no ovário, que ocasionaria até em retirada, algo grave. Quando chegou a hora de tentar de novo, voltamos com as injeções em novas doses, mas o médico viu que ia acontecer tudo de novo. Então sugeriu coletar esses óvulos e congelar embriões para começar o processo da FIV. Nessa hora pensei: Meu Deus! Fiquei imaginando todo o processo, nunca tive ninguém próximo de mim que houvesse feito. Me senti muito sozinha, não contei pra ninguém, estava vivendo tudo isso particularmente só com a minha família. Desabafei com a minha mãe: “Meus filhos vão nascer de laboratório!”. Ela me consolou e eu desencanei disso tudo.
Romântico não é a forma como vai ser feito, é você querer construir sua família. Eu estava super ansiosa esperando o momento e já fazendo planos. Pensava que seria muito rápido, cheguei a desmarcar compromissos de trabalho pensando: na data X já estarei grávida. Meus ovários estavam enormes, normalmente tem 3cm, os meus chegaram a 12 de tanto estímulo hormonal. Era muito assustador, eu sentia muito incômodo. No dia do procedimento, te dão uma anestesia e você dorme. Retiraram 22 óvulos. Mas eu estava com líquido na barriga, então não seria prudente colocar os embriões logo no quinto dia. O médico me informou que seriam congelados, a chamada TEC – Transferência de Embriões Congelados. Vamos aprendendo toda essa nomenclatura ao longo do tratamento. Fiquei muito arrasada! E ainda precisei de repouso absoluto porque a hiperestimulação demoraria para passar. Fiquei 3 semanas assim. Dos 22 óvulos, 11 eram maduros. Destes 11, 8 foram fecundados (os chamados blastocistos). Já era Réveillon do ano seguinte, pra vocês terem uma ideia. Me recuperei e então começamos a preparar o corpo para a gravidez, isto é, engrossar o endométrio, colocar estrogênio (em patches). Demorou bastante, foi muito chato. E então finalmente colocamos dois embriões no útero e esperamos pelo menos um vingar. Fiz repouso de 2 dias e tinha que esperar 12 dias para o teste. Não me aguentei e fiz o de farmácia já no oitavo dia. E no nono. E no décimo. Deram positivo! Saí correndo do banheiro e contei para o Bruno. Estava superfeliz e radiante! Meu médico falou das estatísticas de que nem sempre dava certo. Eu pensei: não, tudo o que já passei pra chegar até aqui, agora vai dar! Quatro semanas depois, com 8 semanas de gravidez, descobri que não estava evoluindo bem, não escutamos o coração e provavelmente iriamos perder. E foi o que aconteceu. Meu corpo expeliu. Fiquei muito mal. Vivi um luto, não esperava que fosse tao difícil. Mas eu sabia que tinha que erguer a cabeça e continuar. Perguntei quando poderia tentar de novo. E preparei meu corpo para tudo de novo. Na segunda vez, novamente foram dois embriões. E dessa vez não vingaram também. Decidi mudar de médico e de clínica para ter novos ares e uma segunda opinião. Fui para uma médica especializada em reprodução humana. Ela me indicou que os níveis de hormônios que eu estava tomando eram insuficientes. Partimos para nova tentativa. Uma semana antes do procedimento, comecei a tomar progesterona e com o endométrio engrossado, marcamos o dia. Foi super tranquilo, não senti nada. Segui mais novas orientações de como ajudar no sucesso da técnica. Os hormônios dessa vez foram todos controlados com mais frequência, a cada 3 dias. E graças a Deus nessa terceira TEC tivemos sucesso! Hoje minhas duas meninas estão aí, lindas e saudáveis, e são a razão da minha vida. Agora entendo porque tive que passar por tudo que passei… por elas! E não mudaria nenhuma vírgula de toda minha experiência. Conto em detalhes todo o meu processo neste vídeo no meu canal e quero deixar algumas dicas para vocês: peçam sempre uma segunda opinião! Não desistam! Tenham fé. Às vezes as coisas não são como planejamos… mas os planos de Deus são muito maiores do que os nossos!”

“Eu me sentia derrotada de ter que buscar a fertilização como recurso para ser mãe”

Thais Reali, 41 anos, mãe do Nicholas e do Thomas, 4 anos

“Sempre quis ser mãe, fazia parte de mim a vontade de ser mãe! Tenho um perfil maternal, de cuidar, de acolher. Amo meu trabalho e minha empresa era meu filho até decidir engravidar. Nesse processo de adiar a maternidade,
quando realmente resolvi ter filhos não foi tão fácil. Precisei entender que o tempo da gestação era outro, diferente do meu, mais acelerado. Eu e meu marido, André, morávamos em cidade diferentes. Tenho um perfil mais ansioso, então passei por um ano e meio de tentativas de gravidez sem sucesso, fazendo testes de farmácia. Nesse período eu me lembro de ainda pensar, me sentindo mal: ‘por que fulana que nem queria engravidar conseguiu, e eu que quero muito não consigo?’ Cada gravidez de amiga eu ficava feliz, mas me sentia fracassada. Decidi averiguar se tinha algo fisiológico que estava atrapalhando. Minha ginecologista me disse que estava tudo OK, eu ovulava normalmente, mas não conseguia engravidar. Como mulher, me senti muito derrotada de ter que buscar a fertilização como recurso para ser mãe. Eu tinha um lado masculino muito desenvolvido e talvez não estivesse dando atenção para o meu lado feminino. Mas então em certo momento deu uma virada. Fiz um trabalho muito lindo de conhecimento pessoal, buscar me entender um pouco mais, confiar que eu seria mãe no tempo certo. Fui buscar respostas para ter meu ventre livre para poder encher de amor! Passei a ver a gestação de outras mulheres e pensar: ‘a minha hora vai chegar’. Eu tinha o estoque de hormônio anti-mülleriano (AMH) baixo, mas ovulava todo mês. Começamos com estimulação de ovulação por medicação injetável, fizemos duas vezes, sem sucesso. Decidimos partir para a fertilização. Para melhorar minha energia e ficar menos nervosa, fui buscar várias alternativas: fiz acupuntura, fui a centro espírita, fiz desobsessão, fiz limpeza, tudo o que podia da medicina alternativa e holística, além de me cuidar psicologicamente com terapia. Decidi confiar! Escolhi uma música, ‘A Thousand Years’, que até hoje me emociona quando lembro. Todos os dias quando fazia a aplicação das injeções, acendia uma vela e falava com meus futuros filhos no plural (pois sabia que a gente colocaria dois embriões), tomava um banho, fazia uma oração… Era um ritual de 30 minutos, repetido por todos aqueles 15 dias prévios. Acredito muito que isso foi muito importante pra mim!

Foram coletados 3 óvulos: 1 foi descartado, 2 foram implantados. Lembro que eu não queria nem caminhar direito quando saí de lá porque queria ficar em repouso. Foram 4 dias sem me mexer depois disso! É preciso esperar 12 dias após o procedimento para saber se deu certo. No momento em que o médico confirmou que estávamos grávidos, foi uma felicidade extrema! E só aí percebi o quanto meu marido estava ansioso e o quanto ele segurou as pontas preocupado por mim. Ligou para toda a família assim que recebemos a notícia (e eu segui falando com o médico tentando entender os próximos passos, risos). Comecei a ficar curiosa pra saber se eram gêmeos! Tinha um quadrinho na sala de ecografia que dizia: ‘Você vem aqui para ser mãe e às vezes sai com dois!’. Sim, e eu sonhava em ter gêmeos!
Quando confirmou, bateu a felicidade dupla e também uma ansiedade em dobro. A primeira pessoa que ficou sabendo da minha gravidez gemelar foi a Vanessa Rocha, minha amigona, coidealizadora da Me Two, também mãe de dois. Eu queria saber de tudo! Meu recado para quem quer ter filhos e pensa em fazer reprodução assistida é: a mulher precisa ter muita consciência de que deseja mesmo ser mãe, que não está fazendo isso por uma imposição social. Pois são aliados de quem quer muito! E contar com profissionais renomados e cuidadosos. Ser mãe de gêmeos me renova todos os dias, às vezes me percebo tensa de não conseguir ser a mulher ágil que eu era antes, mas estou sempre aprendendo e evoluindo, sempre com gratidão pelo presente que recebi de ser mãe e agora poder levar isso para muitas famílias por meio da Me Two, com a Elisa e a Vanessa, fazer a diferença na vida de muita gente.”

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Camila Saccomori
Camila Saccomori
Jornalista de Porto Alegre e mãe da Pietra, nascida em 2011. Desde a gravidez, passou a produzir conteúdos femininos e voltados a famílias em vídeo, foto e texto. Trabalhou por 20 anos no Grupo RBS e hoje faz conteúdos para a Me Two e projetos de maternidade pelo seu novo "filho", o canal @VamosCriar.

6 Comments

  1. Ana Paula Aresi disse:

    Bom minha estória de ser mãe, tbm vem do laboratório. Casei em 2009, e em 2010 eu e o marido decidimos começar a tentar a ter filho, pois já estava com 30 anos, já no primeiro mês de tentativa num certeiro, estava grávida uma emoção muito grande, isso era agosto de 2010 e nos primeiros dias de setembro comecei a ter sangramento, fui para o hospital e estava com uma gravidez ectópica , mas como as coisas são engraçadas na noite anterior estava vendo dr. House, e neste dia a ocorrência era de uma mulher q estava com gravidez fora do útero, e aquilo ficou na minha cabeça, e no.outro dia a notícia q minha gravidez era fora.do útero, Dr. Ficou muito surpreso de ainda estar bem, pois a gravidez estava evoluindo e o BB já estava bem grandinho, coisa q não é comum, pode estourar a trompa. Tá, passei pelos piores dias da minha vida, mas o Dr. garantiu q poderia engravidar novamente. Passado exatamente um ano quase na mesma data engravidei novamente, felicidade tomou conta, mas q durou pouco tempo, estava novamente com uma gravidez ectópica, desta vez foi grave tirei a segunda trompa, agora somente com fertilização em vitro, nossa meu mundo caiu, pois de.onde íamos tirar dinheiro os tratamento são muito caro. Mas o meu Dr. Q foi um anjo todas as vezes indicou uma clínica q fazia um valor mais em conta, mas ai ficamos sabendo de pessoas q tiveram sucesso em.uma outra clínica e fomos lá, duas tentativas e nada dois abortos. Aí pedi pro.marido pra procurarmos outra clínica, chegamos a ir em mais duas, mas quando fiz a entrevista com a de. Andréa já sabia q seria ali com ela, muito atenciosa, fez todos.exames. E em 2014 fizemos a transferência de 3 embriões, e finalmente deu certo hj tenho minhas princesas alice e adele 4 aninhos.

  2. Fernanda Enrech Cunha disse:

    Eu também tive meus guris 👨‍👩‍👦‍👦 com fertilização in vitro, depois de duas gravidez tubárias e de 7 tentativas 💪 com 44 anos! Mas valeu a pena, faria tudo de novo 💙💙

  3. Maria Fernanda disse:

    Após 8 anos de tentativas, 3 abortos, a benção veio em dobro!!!
    Bom ler estas histórias para me preparar para a chegada das meninas em dezembro,
    Se já um mundo novo a chegada do primeiro filho, com gêmeos as dúvidas são enormes.
    Ótima a iniciativa deste site, continuem e parabéns!!!

    • Vanessa Rocha disse:

      Querida, Maria Fernanda! Obrigada pelo teu cometário! São pessoas assim que são exemplos e fazem com que pessoas não desistam do seu sonho! Continue nos acompanhando, sempre bastante dicas para o nosso Universo e muita saúde pra vocês!!

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