Não é raro que pais e mães fiquem tentados a vestir os bebês gêmeos com roupinhas iguais. E #QuemNunca, não é mesmo?

Por questões de praticidade ou mesmo de ser fofinho vê-los com peças idênticas ou bem parecidas, é muito comum as famílias optarem por comprar roupas iguais para os filhos.

Hoje, em parceria com a Alô Bebê, queremos retomar este assunto (leia aqui nossa primeira matéria sobre “vestir igual ou diferente”) ouvindo mães de gêmeos que curtem ou não dessa prática. E começamos com a psicoterapeuta Sâmara Jorge, mãe das gêmeas bivitelinas Julia e Isadora, que hoje estão com 20 anos. Sâmara escreve sobre o universo gemelar e chama a atenção das famílias para olharmos mais profundamente para o assunto.

Antes de mais nada, é preciso dizer que na primeira etapa da vida, é através do olhar dos pais que as crianças aprendem a se conhecer e olhar para si mesmas. Isso é muito importante, pois o olhar dos pais espelha a criança e a ajuda a desenvolver suas características mais singulares, o que contribuirá para a formação de uma boa autoestima. Fazer isso com filhos em idades diferentes já não é fácil, imagina no caso dos gêmeos!

E o que tem a ver com isso o “vestir igual ou diferente”?

É aqui que entra a questão das roupas. “A roupa, em geral, traduz quem somos, reflete nossa personalidade e um estilo, assim como a cultura em que vivemos. É evidente que, para os bebês, tudo isso vem dos pais, ou seja, a criança refletirá a personalidade dos pais. E isso muda à medida que as crianças crescem”, explica a psicoterapeuta.

No caso dos gêmeos, isso também acontece. E mais: além de terem que se diferenciar dos pais, é esperado que se diferenciem entre si também, principalmente no caso de gêmeos idênticos.

“É preciso desenvolver um olhar para cada filho, ressaltando características próprias em cada um, sem negar a existência de tantas semelhanças. Em outras palavras é essencial que os pais não vejam os múltiplos como um bloco e que não pressuponham que sejam idênticos em tudo”, pondera Sâmara.

Isso pode se refletir, em um primeiro momento, na forma de vestir as crianças, não é mesmo? E aqui um adendo: não é proibido, mas é indicado que não seja um hábito.

Outra coisa importante é separar o que é de cada um. “Depois de uma certa idade, cada um deve ter as suas roupas. Isso pode parecer bobagem, mas já ajuda os pais a pensar em cada filho como um indivíduo. Eles não precisam, necessariamente ser totalmente diferentes, assim como não precisam ser totalmente idênticos. Apenas precisam poder ser quem são verdadeiramente”, conclui a psicóloga.

Por fim, que todo mundo fique tranquilo, pois a forma de vestir não é o único fator para a formação da individualidade. Evitar comparações, respeitar o ritmo de cada um, entre outras coisas, também são fundamentais.

“Sempre evitei usar roupas iguais ao mesmo tempo”

Sâmara Jorge, mãe de Julia e Isadora, gêmeas bivitelinas de 20 anos

“Embora sejam diferentes, minhas filhas sempre ganharam presentes idênticos. Eu evita usar as roupas ao mesmo tempo e procurava manter um espaços diferentes para guardar as roupas de cada uma. Às vezes usava roupas parecidas, mas nunca totalmente iguais. Aos poucos foram demonstrando suas características e personalidades. Às vezes, gostavam de brincar de gêmea e se vestiam iguais para ver a reação das pessoas e se divertiam com isso. Hoje têm personalidades bem diferentes, mas sem negar as semelhanças e o fato de terem sido geradas e nascido juntas. São muito amigas, confidentes e têm um um vínculo extremamente forte, mas têm suas próprias roupas, formação profissional, turmas de amigos, gostos e experiências. Enfim, cada uma está trilhando seu próprio caminho.”

Alice e Sofia

“Acho mais prático vestir igual”

Denise Biavatti, mãe das gêmeas univitelinas Alice e Sofia, 2 anos e 8 meses

“Visto as gurias sempre com o mesmo modelo de roupa. Como a maioria das vezes não encontro em cores diferentes, acabo comprando exatamente iguais. Já tentei vestir diferentes, mas elas se olham e pedem a roupa da mana. Quase tudo que tenho é em pares. Desde que elas nasceram, usamos as mesmas roupas, nunca separamos uma cor ou um kit pra cada uma. Elas ganharam muitas coisas, e as pessoas sempre perguntavam que cores nós iriamos usar pra uma e pra outra. Achamos mais prático para todos que ajudavam não ter esta divisão. Aqui no Canadá, onde moramos, sempre compro quando encontro kits com duas roupinhas iguais, tipo vestidos de cores diferentes. E no cabelo, tentamos usar laços combinando, mas de cores diferentes.”

“Não curto vestir os gêmeos iguais”

Luciana Duarte Kessler Lima, economista, mãe dos gêmeos Laís e Fábio, de 5 meses, e Pierre, de 5 anos

“Não curto vestir iguais porque acho que eles precisam ser tratados como duas crianças em separado. Cada um tem uma personalidade bem distinta desde já, noto no dia a dia, e tento trazer isso para as roupas. Às vezes até uso roupas parecidas, de cores diferentes. Mas nem sempre usamos juntos. Se fossem do mesmo sexo, acho que faria da mesma forma, talvez com mais modelos semelhantes também, só que de cores diferentes. Acho que vale a brincadeira de vez em quando, mas não no dia a dia.”

“Eles pedem para se vestir iguais”

Fernanda Enrech Cunha da Silva, mãe dos gêmeos bivitelinos Antonio e Joaquim, 6 anos

“Quando eles nasceram, como não são idênticos, não vesti igual na maternidade. Mas todo mundo dava roupa igual e perguntavam porque estavam diferentes quando os viam. Mas depois que aprenderam a falar, eles mesmo pedem pra vestir roupas iguais. Quando tento colocar diferentes, eles reclamam! Pedem para vestir uma igual à do mano. Adoram falar para todo mundo que são gêmeos! E volta e meia a nossa família inteira se veste igual também. É uma brincadeira divertida.”

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