Não é raro bater a dúvida quando se trata de presentear os irmãos gêmeos.

Dar um presente para cada criança ou tudo bem dar um só?

Agora que o Natal está quase chegando, trazemos esta discussão para a Me Two para ajudar outras famílias a refletirem sobre o tema.

Levamos estas questões para a pedagoga e professora da UFRGS Tania Fortuna, especialista em pesquisar a importância do brincar para o desenvolvimento infantil. Tania abordou desde a lógica do presentear e os aspectos que estão por trás de nossas escolhas. Vem com a gente antes de comprar o(s) presente(s) da turma?

Antes de mais nada, a individuação

“O importante quando se pensa em gêmeos e na experiência do presentear no Natal é retomar a necessidade de tratá-los como indivíduos. Essa experiência da individuação é muito importante para o desenvolvimento emocional de todos nós, e não vai ser diferente nos casos dos gêmeos. Por terem dividido o mesmo útero e chegarem ao mundo juntos, isso não elimina a especificidade que cada um tem, ainda que possam ser muito semelhantes. É importante que as figuras que se ocupam do cuidado, do desenvolvimento da criação e do ensino de crianças gêmeas se deem conta de que é preciso também desenvolver dispositivos de identificação e valorização da unicidade, da individualidade de cada um.”

Duas crianças = dois presentes

“Tendo a questão das individualidades em mente, todas as posições a serem tomadas serão também mais coerentes”, antecipa a pedagoga. E então chega o momento da experiência da dádiva do presente de Natal, um momento muito complexo emocionalmente, como define Tania, destacando a riqueza da oportunidade da troca de presentes. “Dar um único presente é negativo e contraria tudo o que falamos sobre a importância da individuação. Os gêmeos devem ser presenteados como qualquer indivíduo“, sentencia. Ao dar um único presente de Natal para os dois, estaria sendo reafirmada a ausência da individualidade, ainda que em outras ocasiões se possa sim dar presentes para todos ou para toda a família. “Se todas as outras pessoas recebem um presente só para si, por que os gêmeos ou trigêmeos da família teriam que receber um único para os dois ou três? É injusto!”.

Muitas vezes, destaca Tania, há uma preocupação muito grande com a rivalidade que se possa instaurar ou estimular dando presentes diferentes. “Pode vir daí a medida muito frequentemente adotada de dar presentes idênticos ou um único presente”.

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E que tipo de presente?

“Voltamos ao pressuposto fundamental – cada um é único, não é idêntico, mas em busca da justiça podemos usar a lei da equivalência, que vale para todos os demais membros da família. Inclusive, podem sim ter um valor equivalente, valor não só monetário, mas em termos de simbolismo e de contribuição para o desenvolvimento, em termos de interesse que possa despertar na criança. Essas mesmas considerações podem ser transmitidas aos familiares e amigos que também se sentem perdidos na hora de presentear gêmeos”, explica Tania.

Antes disso, pergunte-se: é para quem o presente?

Tania destaca um aspecto psicológico importante que, segundo ela, é um processo muito comum. “Os adultos precisam se perguntar com honestidade: este presente é para acertar as contas com o meu passado? É para a criança que eu fui? É para eu me comparar com as crianças ou os pais das crianças com os quais eu convivo? São questões a serem respondidas antes de tomar a decisão do que comprar. É claro que nossos desejos, mesmo quando estamos conscientes deles e tentando dominá-los, impactam nas nossas escolhas, mas ter consciência e diferenciar o que é para mim e o que é para a criança é fundamental.”

A importância de ouvir o que as crianças querem

Tania propõe que os adultos perguntem diretamente aos pequenos que tipo de presentes eles imaginam receber em datas especiais: “Não é difícil estabelecer desde cedo com as crianças a experiência da lista de desejos, de forma sensata e razoável, mas sempre dentro da possibilidade de sonhar com coisas incríveis e fantásticas! A lua, o céu, as estrelas, mas também com coisas muito concretas. Você vai ver como é admirável como as crianças são capazes de desejar coisas muito simples, e que nós normalmente não as escutamos quanto a isso.”
No entanto, pontua a especialista, não é uma lista de desejos a serem todos realizados. “Não se deve iludi-las quanto à certeza de que tudo que desejam será realizado. São possibilidades. Isso desde muito cedo irá inseri-las nesse mundo das realidades possíveis e certamente contribuirá para que elas sejam adultos mais saudáveis emocionalmente com mais potencial para serem felizes.”

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Alguma dúvida de que a Isabela e o Gabriel amam o Natal?!

@@ E agora, vamos ouvir as experiências de mães de gêmeos sobre presentear os filhos?
Confira os depoimentos das nossas 3 sócias da Me Two:

Vanessa Rocha, mãe do Gabriel e da Isabela, 6 anos:

“Acho que é legal respeitar a individualidade dos dois. Em datas importantes como Natal, cada um receber um presente, como todos recebem é válido, mas se a dupla tem poder, é diferente ser gêmeos, por que não presentear com um jogo bem divertido em que são necessários dois jogadores? Não vejo problema também.
Acho que os extremos são sempre ruins. A sociedade já impõe tantas coisas para os gêmeos, como comparações, vestir ou não iguais, mais essa questão sobre presentear? Tratar com mais naturalidade e leveza as situações fazem bem. Se pensou nos irmãos gêmeos e lembrou de um jogo divertido, por que não presenteá-los assim? Afinal, além de divertido, facilita o bolso do convidado no aniversário, por exemplo, não sendo necessário dois presentes, e, sim o que importa é a presença.”

Elisa Scheibe Marty, mãe do Franco e do Martin, 4 anos:

“No Natal eu dou um presente para cada criança, desde bebezinhos, mas eventualmente gosto se ganham um para compartilhar, acho que tem um caráter pedagógico também. Já ouvi de especialistas que é legal os irmãos gêmeos ganharem e terem coisas individuais, mas também terem itens de uso coletivo, o que acho que funciona muito bem com jogos e brinquedos “de montar”, tipo blocos/lego. No último aniversário, por exemplo, ganharam juntos um autorama (com dois carrinhos, logicamente). Já tive fases de ter que dar tudo igual, até a cor… Hoje em dia compro parecido e tudo bem… Eles se trocam e também se emprestam numa boa. Cada um fez sua listinha para o Papai Noel, com desenhos e escolhas próprias, um amor!”

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O que será que o Franco e o Martin pediram?

Thais Reali, mãe do Nicholas e do Thomas, 5 anos:

“Aqui em casa gostamos de dar presentes individuais! Algumas vezes são iguais, mas cada um com o seu. As únicas exceções foram quando ganharam presentes de maior valor, como uma pista de corrida ou DVD portátil”.

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Nicholas e Thomas <3

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