Gêmeos fazendo birra? Quais as 3 coisas que você precisa saber para resolver (e também prevenir o problema)
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Irmãos gêmeos sempre serão comparados, mesmo que inconscientemente. São duas crianças que nasceram juntas e se desenvolvem na mesma fase. Aqui na Me Two toda semana recebemos essa pergunta de pais e mães de gêmeos: “O que fazer quando a família parece gostar mais de um gêmeo do que do outro?”

Procuramos a especialista, Adela Gueller, psicanalista argentina que estuda gêmeos há 8 anos para nos ajudar com essa questão. Adela já ministrou palestras para a Me Two e também participou do I Workshop Nacional para gêmeos e Múltiplos idealizado pela Me Two.

Adela nos instiga a pensar e encontrar algumas saídas para lidar melhor com a situação dos nossos familiares preferirem um dos gêmeos.

Então: Que tal refletir e entender de onde vem esse sentimento? Essa preferência? Será que não estamos ajudando a formar essa ideia?

“Frequentemente vemos os pais calculando no relógio o tempo dedicado a cada filho, proibindo-se de se deixar levar pelo prazer da relação com cada um. Pelo horror que têm das disputas fraternas e pelo medo de que surja o ciúmes, os pais procuram intervir em todas as brigas entre os irmãos.Contudo, essa intervenção pode manifestar justamente o que se tenta reprimir: a preferência.” alerta, Adela.

“As preferências contribuem para marcar as diferentes características dos irmãos. Um pode ser mais simpático e comunicativo e outro mais retraído e tímido, por exemplo, de modo em que o primeiro consegue ter mais atenções que o irmão.” Acrescenta Adela. Isso pela facilidade de se comunicar, por conseguir atrair mais “interesse” a partir do seu modo de ser ou simplesmente pela forma como se manifesta.

Adela vai além: desde o início, os pais procuram estabelecer entre os irmãos boas relações, encontros de prazer em conjunto e atitudes de respeito mútuo, mas, desse modo, também pode acabar fortalecendo um sistema fechado entre os irmãos, deixando terceiros e até mesmo os pais e os outros de fora. Ou seja, os gêmeos se tornam autossuficientes e se bastam.

Portanto, para diminuir a “estigmatização” conforme as qualidades (ou até deficiências) das crianças, a sugestão é encontrar as qualidades que cada um tem para se relacionar com os outros, assim como a forma com que brincam, que jogam, que se distraem, enfim, que se manifestam: um pode ser mais intelectual e o outro mais engraçado. Um pode se destacar nos esporte e o outro nas artes, e TUDO BEM, afinal, estamos falando de duas pessoas diferentes, ainda que possam ser semelhantes fisicamente.

Além disso, ser o preferido não é sempre o melhor, já que gera mais exigências para esse irmão que terá que se esforçar para não causar decepção. Enquanto o outro que não tem tantos olhares sobre ele é mais livre (já pararam para refletir sobre isso?).

Nossa sugestão, portanto, é fazermos essa auto análise: será que não estamos colaborando para que nossos familiares tenham uma preferência, quando enaltecemos as qualidades ou afirmamos em voz alta o que eles ainda não conseguiram atingir ou “fazem de errado” aos nossos olhos? Vale a reflexão, e, com jeitinho, podem dizer que viram esse alerta aqui na Me Two, e como é importante para as crianças que eles possam ouvir em voz alta suas qualidades e também seus limites, seja dos pais, dos cuidadores, dos familiares, dos professores.

 

Adela Gueller, psicanalista argentina, e Vanessa Rocha, da Me Two, no I Workshop sobre gêmeos e múltiplos do Brasil.

Seguem 3 dicas da Me Two para mães e pais de gêmeos:

 

1. Evite rotular seus gêmeos.

É inevitável a comparação entre os nossos filhos gêmeos, até porque estamos conhecendo nossos filhos no início da vida. “um mama mais que o outro”, mas evitar essa comparação ao longo dos anos e NÃO ROTULAR é saudável. Quando rotulamos, já estabelecemos o que a criança é, sem dar espaço para se desenvolver diferente, ou agir de uma maneira melhor/diferente, vai ser muito mais difícil para ela. Por exemplo: Ao invés de dizer que ele é o mais tímido, diga: ele ESTÁ mais tímido nesse momento. Leia mais aqui.

2. Estabeleça um tempo individual com cada filho.

Não precisamos cobrar tanto essa individualidade dos nossos filhos já imposta pela sociedade, mas quando tiver oportunidade, tenha um momento com cada filho. Para isso aconteça, é preciso que a mãe ou o pai se sintam seguros com o evento. Sim, transforme isso num evento de muita importância para o seu filho. Leia mais aqui.

3. Aceite que somos uma mãe/pai para cada filho.

Cada filho “vem com um manual” e diariamente vamos desvendando ele. E, como diz a Adela Gueller, existe ainda a terceira entidade: somos uma mãe/pai diferente para a dupla.

ADQUIRA A PALESTRA:

O PODER DA DUPLA x INDIVIDUALIDADE: tudo o que você deve saber sobre gêmeos

Adela Gueller psicanalista, especialista em relações fraternas e autora do livro Atendimento Psicanalítico de Gêmeos” (Zagodoni Editora, 2018), nos ensinou muito sobre a relação entre irmãos gêmeos (o “poder da dupla”), trabalho em equipe e individualidade, mas foi muito além dessas questões durante sua palestra no I Workshop sobre Gêmeos e Múltiplos Me two. Sob o ponto de vista da psicanálise, Adela aborda a relação única entre os gêmeos, sobre a separação e a saudade entre irmãos (juntos ou separados na escola?)competição, ciúmequestões de gênero, sem esquecer, obviamente, de inúmeras situações práticas que vivenciamos, cotidianamente, em nossa realidade múltipla. Disputa, relações entre irmãos (gêmeos e não gêmeos, trigêmeos ou mais), necessidade de se diferenciar…como lidar?

LEIA MAIS:

@@ Adela Gueller, psicanalista: “Em uma sociedade tão individualista, temos muito o que aprender com os gêmeos”.

@@ As brigas entre os gêmeos estão te tirando do sério? Veja como lidar com a situação.

 

 

 

 

 

 

Vanessa Rocha
Vanessa Rocha
Vanessa Rocha é mãe da Isabela e do Gabriel de 6 anos. Na Me Two, é responsável pela geração de conteúdo. Sempre ligada no que tem de melhor quando o assunto são os gêmeos. Formada em Farmácia, com especialização na área de oncologia, saiu do hospital onde trabalhava para se dedicar à dupla. Aos poucos, retornou para a área e hoje atua eventualmente em algumas clínicas. Sempre criativa nas brincadeiras com seus filhos e segura quando o assunto é cuidar dos gêmeos, traz ideias e inspira muitas mães.

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