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Mais cedo ou mais tarde, toda mãe de bebês por volta de 1 aos 3 anos vai enfrentar uma (ou muitas) delas: as mordidas.

Morder é uma forma de expressão nesta fase oral das crianças. Mas você sabe as causas e como lidar?

Hoje vamos conversar sobre essa difícil etapa do desenvolvimento infantil, quando nossos gêmeos ainda não sabem se comunicar direito e usam este recurso como espécie de comunicação. Mãe dos gêmeos Benjamin e Gabriela, de 4 anos, a psicóloga clínica Andréia Grinberg, especialista em infância e adolescência, nos ajuda com todas as dicas e explicações para controlar esta situação em casa com os filhos ou na escolinha.

A faixa etária: início e fim da fase das mordidas

O período mais comum é entre 18 meses e 3 anos de idade. Andréia explica que, neste início da vida, a zona corporal que ganha mais evidencia é a boca: “É por ali que o bebê se alimenta, descobre, interage e se comunica com o mundo ao seu redor.” Ou seja, esta é a forma de expressão das crianças enquanto a linguagem não está desenvolvida.

O que uma mordida representa?

Morder o outro, do ponto de vista emocional, é uma forma de expressão dos afetos. A comunicação não verbal que está por traz da mordida, pode estar relacionada tanto aos afetos agressivos (frustrações, brabeza, tristeza…) quanto aos afetos amorosos (brincadeira, excitação, felicidade, desejo de contato e aproximação). “As crianças pequenas ainda não têm muitos recursos emocionais e isso faz com que usem com mais frequência a linguagem corporal seja mordendo, pegando, tocando, batendo e gritando”, explica a psicóloga. Também não devemos deixar de considerar o momento do desenvolvimento da criança, fase de dentição, aquisição da fala e entrada da vida escolar, onde estará ampliando seu círculo social.

Qual é a orientação para os pais lidarem com o assunto?

Morder sempre vai gerar uma sensação de desconforto, não há dúvida!!! Tanto para quem faz (pois é algo que não se espera que aconteça) quanto para quem foi mordido (porque dói e machuca). É importante entender o contexto da mordida e não encará-la como algo que simplesmente aconteceu, explica Andréia: “Isso dará mais informações para que pais e responsáveis possam lidar com a situação. Sempre que possível, trate do assunto na hora em que ocorrer!. As crianças pequenas não conseguem manter a atenção focada em algo específico por muito tempo”. E se você não falar do assunto na mesma hora, corre o risco de passar uma mensagem equivocada de que morder é algo aceitável.

Na prática: nomeie para a criança o que ocorreu e mostre que, mesmo não sendo a intenção, seu ato pode machucar o irmão ou o amiguinho. Andréia sugere uma frase em que o adulto ajude a criança a entender suas próprias emoções: “Parece que você mordeu o coleguinha porque ele tirou seu brinquedo e isso te deixou brabo”. Desta forma, a criança vai conseguindo incrementar suas formas de comunicação.

E quando um gêmeo morde o outro?

Isso pode acontecer como forma de demonstrar os ciúmes. “É uma manifestação frequente no relacionamento entre irmãos e que fica mais intensificado entre os gêmeos e múltiplos por estarem vivenciando a mesma fase do desenvolvimento”, explica a psicóloga.

Se um morde, o outro irá morder também?

Não necessariamente. “Respeitando a individualidade e as características de cada um, não é porque um irmão esta mordendo o outro que aquele outro gêmeo também ira morder”. Andréia chama a atenção para a importância de não rotular a criança de “mordedor”, o que reforça não só a preocupação dos pais, mas também deixa a criança pressionada para lidar com a situação de uma forma que talvez ainda não esteja pronta. “Com os gêmeos, talvez  isso apareça mais nas disputas pelos pais, por brinquedos… Por isso é importante desde cedo que eles tenham coisas em comum, mas também as coisas de cada um, para construção da individualidade”.

Em casos mais crônicos, procure ajuda

“Quando o ato de morder se manifesta de forma muito recorrente e as intervenções se mostram ineficazes é importante descartar problemas fisiológicos e consultar um psicólogo que poderá auxiliar e orientar a família de forma mais especializada”, conclui Andréia.

DEPOIMENTO

“Sempre mostrei que morder era errado”

Vanessa Rocha, co-idealizadora da Me Two, mãe do Gabriel e da Isabela, hoje com 6 anos

“Lá em casa, quem mordia era o Gabriel, e quem era alvo das mordidas era a Isabela. Quando entramos nessa fase, parecia que nunca terminaria (como a maioria das fases intensas que só quem tem gêmeos sabe).  Todas as vezes em que ele mordia a irmã, eu me abaixava na altura dele para falar nos olhos, mas era bem dura, para ele realmente entender que isso era errado. E tirava ele de perto dela. Deixava sempre no mesmo canto da casa. Entendo que era a reação do meu filho por não saber como lidar com as situações adversas nessa idade, mas sempre mostrei que era errado. Falava que fazer isso na irmã machucava de verdade. Que ele deveria chamar a mamãe ou o papai se ela tivesse incomodando, mas mordida NÃO. Confesso que inúmeras vezes deu vontade de morder ele para ver como realmente dói (risos). Uma coisa que ajudava também a explicar era sempre fazer o Gabriel ajudar a Isabela a colocar um ‘curativo’ na mordida da irmã.”

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Camila Saccomori
Camila Saccomori
Jornalista de Porto Alegre e mãe da Pietra, nascida em 2011. Desde a gravidez, passou a produzir conteúdos femininos e voltados a famílias em vídeo, foto e texto. Trabalhou por 20 anos no Grupo RBS e hoje faz conteúdos para a Me Two e projetos de maternidade pelo seu novo "filho", o canal @VamosCriar.

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