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O primeiro dia de aula da vida de um filho costuma ser um momento de bastante expectativa para os pais.

E, para mães e pais de gêmeos, há ainda uma preocupação adicional: os gêmeos devem estudar juntos ou separados?

Como tudo na vida, não há resposta definitiva. Porém, queremos (e muito!) falar do assunto e convidamos quem entende do tema para trazer os principais estudos na área e nos ajudar a listar os prós e contras de cada opção.

Aqui para a Me Two, a pesquisadora Isabella Franca Ferreira, mestranda em Psicologia Experimental pela faculdade de Psicologia da USP, traz abordagens realizadas em outros países acerca da separação de gêmeos em sala de aula e, ao fim, tem um convite para as mães de gêmeos do Brasil participarem de um estudo sobre o tema.

Por que separar e por que manter junto?

De forma geral, relata Isabella, acredita-se que a separação estimularia a individualidade e independência (conforme este artigo da Austrália), ao passo que manter os gêmeos na mesma sala de aula evitaria a angústia da separação e possíveis problemas emocionais (conforme outro artigo internacional). Entretanto, ainda há poucos estudos definitivos realizados para avaliar se, de fato, a separação é necessariamente melhor ou pior para os gêmeos. As necessidades individuais de cada par de irmãos deverão ser consideradas pelos orientadores educacionais, psicólogos e pelas famílias na hora da tomada de decisões sobre a entrada na escola.

gemeas na escola

Um “contra” aqui para a separação na idade escolar

Um estudo no Reino Unido em 2004 mostrou que gêmeos que são separados aos 5 anos (logo ao ingressarem na escola) apresentaram mais problemas internalizantes (isolamento, ansiedade e depressão) quando comparados aos que não foram separados nesta idade. No caso dos gêmeos idênticos (monozigóticos), esses problemas ainda continuavam presentes após 18 meses da separação inicial. E mais: os gêmeos idênticos que estudavam juntos aos cinco anos e foram separados posteriormente tinham menores habilidades de leitura quando comparados ao grupo que estudou sempre junto. Não houve diferenças, segundo o mesmo estudo britânico, entre os grupos em relação a agressividade, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade e comportamentos pró-sociais.

No entanto, a situação não se repetiu em outro estudo

Esta pesquisa britânica detalhada acima foi replicada na Holanda e não obteve o mesmo resultado. As diferenças entre os grupos frente aos problemas internalizantes não eram tão grandes e não continuavam a longo prazo. Além disso, não houve diferenças quanto à habilidade de leitura. Portanto, os resultados não podem ser generalizados para qualquer população e mais pesquisas necessitam ser realizadas. Por isto, até o presente momento, a recomendação dos pesquisadores é que a decisão seja feita avaliando-se cada caso, cada relação e em conjunto entre os responsáveis, a escola e, quando possível, com os gêmeos.

Na teoria é bonito, mas e isso funciona na prática?

O problema é que este trabalho em conjunto entre famílias e escola dificilmente ocorre. Uma pesquisa australiana verificou que 10% dos professores da amostra relataram ser conduta oficial das escolas em que trabalhavam separar todos os gêmeos, sem exceção. Além disso, 30% dos pais relataram que eles não foram consultados pela escola e um adicional de 40% dos pais se sentiram inadequadamente consultados.

E no Brasil, enquanto isso?

As pesquisas sobre o tema são raras e ainda não há nenhuma que verifique as condutas das escolas brasileiras, nem a opinião dos responsáveis, educadores e das crianças. Entendendo a importância deste tema, o Painel USP de Gêmeos está com um projeto em andamento que objetiva reunir opiniões de mães, pais e educadores de gêmeos em início de escolarização (de 3 a 10 anos), em relação a separar os irmãos em classes diferentes ou mantê-los na mesma classe, e as razões para isto. Também buscamos entender de que modo o tipo de relação entre os filhos influencia na decisão dos pais frente a esta questão.

Acesse www.paineluspdegemeos.com.br e relate para a gente sua experiência!

painel usp de gêmeos

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Camila Saccomori
Camila Saccomori
Jornalista de Porto Alegre e mãe da Pietra, nascida em 2011. Desde a gravidez, passou a produzir conteúdos femininos e voltados a famílias em vídeo, foto e texto. Trabalhou por 20 anos no Grupo RBS e hoje faz conteúdos para a Me Two e projetos de maternidade pelo seu novo "filho", o canal @VamosCriar.

10 Comments

  1. Janaina disse:

    Gostar de saber como recorrer a algum órgão ou se há uma lei para q nós pais possamos obrigar a escola a manter os gémeos na mesma sala…pq mesmo alegando sofrimento intelecto e sentimental ,algumas escolas nem se quer avaliam ,apenas separam…e não tentam se adequar ao ritmo das crianças…usando o poder interno da instituição para separa Los …

  2. Ana Falk disse:

    Meus gêmeos iniciaram a escola aos 4 anos e meio e eu optei por não separa-los devido ao contexto geral de vida que temos. Eu acreditei que estando juntos superariam melhor o início da fase escolar. Moramos na Suíça e não temos familiares por aqui, o afeto é bastante limitado nesta cultura e na escola não existe contato corporal afetivo algum. A relação professores-crianças é bastante diferente da nossa cultura e a exigência para esta idade de „Kindergarten“ se equivale a crianças de 7,8 anos no Brasil em alguns pontos. Acreditei como mãe que eles estando juntos teriam alguma forma de afeto no ambiente escolar e o impacto do convívio a nova cultura e língua seria amenizado. No entanto diversas desvantagens também se apresentaram já nos primeiros meses e acabamos por separa-los no semestre seguinte. O gêmeo mais fraco estava ficando muito para trás do grupo, extremamente dependente do irmão, não estava aprendendo o alemão suíço, pois o irmão falava pelos dois, entre outras questões de desenvolvimento que estavam sendo bloqueadas.
    Quando foram separados houve muito protesto, principalmente do gêmeo mais fraco que sentiu a falta do seu protetor. No entanto alguns meses depois ele se adaptou sozinho e logo já percebi que começou a se desenvolver melhor na socialização em grupo e na língua.
    Creio que não existe a fórmula ideal. Cada caso é individual e depende muito da personalidade das crianças e do contexto familiar. Espero ter contribuído com a nossa experiência.

  3. Carla Falda disse:

    Eu deixei meus gêmeos estudarem separados na creche esse ano devido a orientação das professoras. Para o próximo andei pensando e decidi que não vou separa-los. Minha decisão foi tomada quando meditei na concepção. Se Deus os enviou juntos porque separa-los? Se fosse para nascerem separados Deus teria os permitido nascer separados! Eu cri assim e me senti muito feliz! Assim será!

  4. […] de 2018 A história do Dia de Cosme e Damião, os irmãos gêmeos santos 27 de setembro de 2018 Irmãos gêmeos devem estudar juntos ou separados na escola? 25 de setembro de […]

  5. Gabrielle disse:

    Minhas gêmeas vão fazer 4 anos e os professores desde do ano passado aconselharam separar este ano. Pensei muito sobre o assunto, pesquisei e em alguns dias quando uma ficava doente eu levava a outra para escola e percebi que sentiam falta uma da outra. Por vários aspectos decidi não separar. Não me arrependi foi a melhor decisão.

  6. Dayanne disse:

    Tenho gemeos bivitelinos casal de 3 anos vão fazer 3 em março daqui um mês e pouco, não tenho dinheiro pra colocalos na escola particular que com muita empatia me informou que eu poderia escolher se ficava junto ou não,MAS INFELIZMENTE como disse sem condições financeiras pra por cadastrei eles na umei do governo a vaga saiu porem ja fui informada que vão separalos desde o 1 dia ,to numa raiva profunda maa fazer o que pobre não tem vez implorei a diretora cordenadora pra deixa los junto ela nao aceito ,recorri na regional de educação mesma resposta então vamos ver como vai ser agora em fevereiro mas ja prevejo sofrimento o gemelar 2 menino e apegado demais na irma sei que vai sofrer com essa separação brusca mas fazer o que a gente nao o direito de opniar sobre p propio filho lamentavel cruel demais

  7. Rosemary disse:

    Meus gêmeos hoje tem 5 anos e meio e “vivem” o clima escolar desde os 7 meses. Por necessidade eles começaram no berçário nessa idade e sempre ficaram juntos. Quer dizer, sempre até ano passado quando ingressaram no Jardim I. Acredito que cada família tenha seus motivos para manter juntos ou separar. Na época da decisão pela separação foi um tanto sofrido (para nós os pais kkkkkk), porque apesar da certeza da decisão de que seria melhor para o desenvolvimento deles, batia aquela insegurança da adaptação. Nossa experiência foi um sucesso, a menina sentiu um pouco a falta do irmão, mas logo se adaptou e os dois seguem felizes e se desenvolvendo. Por que os separei? Bom, o menino estava muito atrasado no que se esperava para ele porque a irmã fazia tudo com mais facilidade. Creio que por medo de errar ele preferia nem tentar e a professora do maternal me deu esse feedback. Com algumas observações constatei que estar “a sombra” da irmã o prejudicaria muito. Hoje eles seguem separados e só estudarão na mesma sala se eles quiserem no futuro.
    Espero ter colaborado.
    Bjs

  8. […] é um dos temas até hoje mais buscados por pais e mães de crianças em idade escolar: manter os gêmeos juntos em sala de aula ou separar as turmas? No Two Talk sobre EDUCAÇÃO, a psicóloga Andréia Grinberg, mãe dos gêmeos Benjamin e […]

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