Método Montessori: veja o “antes e depois” de uma casa com gêmeos adaptada para o desenvolvimento infantil

twins gemeos criptofasia
Gêmeos podem ter uma linguagem secreta entre eles: vem saber mais sobre a criptofasia
12 de fevereiro de 2019
atraso fala gêmeos linguagem
Atraso na fala? Saiba tudo sobre o desenvolvimento da linguagem em gêmeos
18 de fevereiro de 2019

Você já ouviu falar no método MONTESSORI?

Hoje vamos mostrar como uma família de gêmeos mudou diversos aspectos de sua casa para adorar esta filosofia de aprendizagem e desenvolvimento infantil.

Adulto consciente + ambiente preparado = criança equilibrada. Este é o tripé base da filosofia de Maria Montessori (1870-1952). Ela foi a foi a primeira mulher a se formar em medicina na Itália, depois especializou-se em Psiquiatria e Educação. Para ela, toda a criança tem uma natureza perfeita, equilibrada, que lhe permite a autoaprendizagem.

No espaço físico, este conceito se traduz em um ambiente preparado: deve ser simples, belo, ordenado, para que assim a criança cresça. Deve ter coisas interessantes para ela em todos os cômodos da casa, na altura de seus olhos e de possível acesso, sem necessitar do adulto.

A arquiteta e propagadora do método Montessori Luise Rabelo aplica os preceitos desta filosofia em casa com o filho Nicolas, de 2 anos, e em muitas consultorias presenciais ou online. No ano passado, ela realizou uma assessoria para adaptar o método Montessori na casa da educadora física Barbara Calza, mãe dos gêmeos Mathias e Vicente, que estavam com 2 anos e 2 meses. Em Montessori, não é somente o quarto que deve ser preparado para a criança e sim, a casa toda. A casa deve receber a criança como um indivíduo que mora ali como todos os outros.

Acompanhe a seguir os destaques deste trabalho e inspire-se para a sua casa com as crianças!

Espaços de convivência para os gêmeos

Aqui você vê os meninos concentrados e envolvidos cada um no seu trabalho, sem “atrapalhar” o trabalho do outro, como aponta Luise. Também mostra a mesa na altura deles, para que tenham autonomia de sentar e sair quando quiserem.

– Esses são dois pontos bem importantes do método: concentração e autonomia. Montessori dizia que a brincadeira é o trabalho da criança, onde ele está se autoconstruindo, logo, deve ser respeitada, tanto pelos adultos como pelas outras crianças – afirma Luise. – A autonomia permite que a criança tenha liberdade de fazer o que quer, quando quer, pelo tempo que quer, assim desenvolvendo em si o que seu instinto natural lhe pede, sem depender do adulto o tempo todo.

Mathias e Vicente

O antes e depois na sala

Aqui, você vê nas fotos a sala em dois ângulos antes da seleção de brinquedos.

A primeira parte da consultoria foi uma conversa com a família, a segunda foi a seleção de brinquedos e preparação da casa para a criança. No entanto, isso não quer dizer que a casa deva estar lotada de brinquedos, pelo contrário: a criança pequena não tem maturidade de escolher entre tantas opções, devemos deixar poucos e bons itens à disposição. Com menos alternativas, as crianças se focam e se concentram mais tempo nos que estão disponíveis e bagunçam menos. Veja como ficou depois da organização:

A mãe dos gêmeos aprovou muito a intervenção:

– Além de orientar como preparar a casa e como selecionar os brinquedos das crianças, também auxilia a família a pensar e agir de forma mais consciente, de maneira mais harmoniosa e permitindo o melhor desenvolvimento deles – conta Barbara Calza, educadora física, mãe de Mathias e Vicente.

Itens para uso ficam sempre à mostra

Em Montessori, evitamos usar caixas, baús, etc… Preferimos estante e prateleiras para que os objetos e brinquedos da criança fiquem ordenados e todos à mostra. Isso facilita o processo de escolha da criança, explica Luise, e também a organização do ambiente. Quando ficam em caixas, baús ou em volume grande, a criança simplesmente tira de dentro para ver o que tem, não por que está interessada em usar.

Quartinho com muita acessibilidade

Este quarto não foi projetado por Luise, mas está 100% de acordo com os preceitos montessorianos. As camas baixinhas permitem que a criança fique livre para entrar e sair quando quiser.

– Montessori dizia que o choro pedindo para sair do berço é um estresse desnecessário para a criança e se permitirmos que ela fique livre podemos ter a deliciosa surpresa de encontrá-la já acordada brincando sozinha – explica a consultora.

O quarto deve ser um local de sossego, logo, as prateleiras para livros no quarto são uma ótima opção. Na altura das crianças, claro, para que possam escolher o que querem ler. Aqui vale o mesmo que os brinquedos: poucos e bons livros. Montessori defendia que o mobiliário deve ser na altura das crianças para que possam exercitar a autonomia e ter liberdade de escolher entre as peças de roupa que os adultos pré-selecionam para elas. Destinar algumas gavetas ou prateleiras de um armário de tamanho normal tem o mesmo efeito, como fizeram aqui. O importante é que a criança tenha acesso.

Espelhos são muito bem-vindos

A criança gosta do rosto humano e é importante que ela reconheça o seu próprio rosto. Existem espelhos de acrílico, mas o de vidro também pode ser usado se instalado de maneira adequada e segura. Quando a criança ainda não fica em pé, o espelho deve ser colocado na horizontal e, depois, quando começa a caminhar, na vertical, acompanhando seu crescimento.

Caixa de desenho sem itens em excesso

Luise mostra que até os lápis/giz/canetinhas devem ser poucas unidades para facilitar a escolha da criança pequena e a organização. À medida em que os filhos vão crescendo, vamos oferecendo mais opções.

Quer saber mais sobre o método Montessori? Luise Rabelo lançou um e-book sobre o tema, uma compilação dos principais pontos do método para pais, mães e educadores. Clique aqui para baixar

Leia também aqui na Me Two:
@@ Linguagem secreta dos gêmeos: vem saber mais sobre a criptofasia
@@ Entrevista: mãe de gêmeas, Micaela Góes conta seus segredos de organização
@@ 7 dicas práticas para escovar os dentes dos gêmeos

 

Camila Saccomori
Camila Saccomori
Jornalista de Porto Alegre e mãe da Pietra, nascida em 2011. Desde a gravidez, passou a produzir conteúdos femininos e voltados a famílias em vídeo, foto e texto. Trabalhou por 20 anos no Grupo RBS e hoje faz conteúdos para a Me Two e projetos de maternidade pelo seu novo "filho", o canal @VamosCriar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *