Vanessa Demarco é mãe das gêmeas Eloísa e Valentina, hoje com 1 ano. Ela teve uma gestação gemelar rara, em que as crianças estavam na mesma placenta e no mesmo saco gestacional.

Ela nos contou como foi o acompanhamento durante a gravidez, o diagnóstico da Síndrome da Transfusão Feto Fetal (STFF) e como tudo evoluiu bem.

Confira o relato da Vanessa:

Diagnóstico da Síndrome da Transfusão Feto Fetal

“A nossa gestação foi uma grande surpresa. E uma surpresa ainda maior quando descobrimos que não se tratava apenas de um bebê e sim de dois. Descobrimos a gestação gemelar com 8 semanas, quando também foi diagnosticado que se tratava de uma gestação gemelar monocoriônica-monoamniótica. Isso significa que além de
dividirem a mesma placenta, os bebês também dividiam o mesmo saco gestacional, o que é muito raro de acontecer e requer um acompanhamento mais rigoroso. Desde o início, minha obstetra pediu muita cautela e mantivemos um acompanhamento quinzenal.
Apesar de algumas restrições, continuava com minha rotina de trabalho e estudo e tudo corria super bem.

Quando completamos 23 semanas, num sábado à noite em uma janta de comemoração de final de ano, fui no banheiro e estava sangrando. Saímos correndo para a materidade mais próxima. Logo fui atendida e o médico que
me examinou disse que eu estava em trabalho de parto e que as meninas poderiam nascer naquela noite. Naquele momento meu mundo desabou. Meu marido e eu passamos a madrugada numa sala de parto com bebês nascendo a cada hora.

Na manhã, seguinte fizemos um ultrassom e o médico informou que havia uma diferença de peso entre os fetos e também de líquido amniótico nos sacos gestacionais. Neste momento surgiu a primeira dúvida. Como haveria diferença de líquido se era uma gestação mono/mono (um saco gestacional). Esta dúvida perdurou até o dia do parto, pois naquele momento não era mais possível ter certeza se havia membrana separando os fetos. Fiquei internada durante cinco dias e fiz vários ultrassons e exames de sangue.

Vanessa esperando as gêmeas e Luciano de Oliveira.

Inicialmente o médicos desconfiavam que eu poderia estar com o indíce glicêmico alterado, o que acabou sendo descartado, mas exigindo que eu seguisse uma rigorosa dieta até o final da gestação. Antes da minha alta fiz um
ultrassom e os médicos explicaram que desconfiavam de que pudesse ser diagnosticada a síndrome de transfusão feto fetal (quando um bebê rouba nutrientes do outro), pois um dos bebês estava com peso maior e com mais líquido amniótico (polidrâmnio), enquanto o outro bebê estava com peso baixo e pouco líquido amniótico (oligoidrâmnio). Na minha alta não confirmaram a síndrome, mas me encaminharam para acompanhamento de alto risco da maternidade.

Na madrugada do dia seguinte voltei para o hospital com um novo sangramento e nesta internação confirmaram que se tratava da Síndrome da Transfusão Feto Fetal. Os médicos, minha obstetra e os da maternidade, esclareceram tudo que poderia acontecer e quais os procedimentos que poderiam ser realizados.

Repouso absoluto

A partir desse momento fiquei em repouso absoluto e passei a fazer acompanhamento de ultrassom semanalmente. A orientação foi de que caso a síndrome evoluísse para um grau mais grave, me encaminhariam para São Paulo para realizar um procedimento a laser. Acontece que por alguma razão divina a síndrome não evoluiu, pelo contrário: o líquido amniótico normalizou, as bebês estavam se desenvolvendo normalmente (apesar da diferença de peso) e o mais importante, o fluxo sanguíneo nos cordões umbilicais sempre esteve normal.

O descarte do diagnóstico

Cada semana era uma grande vitória. Quando completei 30 semanas os médicos descartaram a síndrome da transfusão feto fetal e diagnosticaram uma restrição de crescimento da bebê menorzinha. Com 32 semanas um novo médico nos examinou e informou que apesar de ter sido descartada a síndrome da transfusão feto fetal, ele acreditava que poderia estar ocorrendo uma transfusão de sangue entre as bebês, uma estando com mais glóbulos vermelhos e outra com mais glóbulos brancos, podendo ser necessária uma transfusão sanguínea quando elas nascessem.
Naquele momento eu já nem sabia mais com o que me preocupar ou não. Com 33 semanas, a médica decidiu me internar porque já estava com 4 dedos de dilatação.

Nascimento das gêmeas

Seguramos as meninas no forninho até as 34 semanas e no dia 22.02.2017 elas nasceram. Nasceram perfeitas. Não foi necessária nenhuma transfusão de sangue, nenhuma intervenção durante os dias que ficaram na UTI. E com 15 dias tiveram alta para juntos iniciarmos nossa nova jornada.

Gêmeas saudáveis

Luciano, Valentina, Eloísa e Vanessa.

Agradeço a Deus todos os dias pela vida e saúde das minhas filhas. Senti tanto medo de perdê-las antes mesmo de tê-las nos meus braços. Tenho certeza que a reversão da Síndrome da Transfusão Feto Fetal foi obra Divina, porque nenhum dos médicos que me acompanhou soube explicar como tudo que estava “tão ruim” , ficou “tão bom”.

Hoje as meninas estão cheias de saúde e apesar da prematuridade se desenvolvem super bem.
Agradeço imensamente a oportunidade de escrever sobre tudo o que vivemos. Apesar da gratidão diária por ter as meninas conosco, no meio dessa confusão que é a nossa vida esquecemos de que o pior já passou.”

Com carinho,
Vanessa Demarco

 

Vanessa Demarco é mãe da Eloísa e da Valentina, hoje com 1 ano e 6 meses. Advogada, casado com Luciano de Oliveira. Instagram: @vanessaesuasgemeas

 

 

 

 

Quer saber mais sobre a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal? Clique aqui e assista ao vídeo do Dr. Wagner Hernandez explicando o que é e o que fazer caso seja diagnostica.

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