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O parto normal dos trigêmeos

.Carol (41), brasileira, psicóloga, casada com e Eduardo (48), argentino e chef de cozinha já eram pais do Thomas, de 4 anos, quando tiveram os trigêmeos Lucas, Liza & Daniel. A família mora em Londres há 10 anos e sem nenhum outro familiar. A gravidez dos trigêmeos foi de forma natural e o maior choque inicialmente.

Carol conta seu relato de parto normal dos trigêmeos que aconteceu em Londres e inclui muitas aventuras!

Acompanhe e se inspire:

A expectativa:

Desde que tive os bebês venho pensando nesse texto, nessa incrível história que aconteceu comigo e que não quero esquecer! Os trigêmeos vieram ao mundo com 32 semanas e 4 dias, no dia 12 de outubro as dez horas da noite, de parto normal.
Não, não foi um parto normal planejado e nem esperado. Desde o começo meu médico deixou claro que faríamos uma cesárea com 34 semanas. E assim eu aceitei e abracei o desfecho da minha gravidez de alto risco em uma cesare a marcada para evitar maiores riscos.
Porém meus filhos decidiriam vir ao mundo antes, no seu próprio tempo e do seu jeito.

O dia do parto

Tudo começou na manhã do parto, quando comecei minha luta contra as infames hemorroidas. Sinto muito você ter saber disso, mas elas tiveram um papel importante nesse drama.
Passei o dia inteiro com dor, deitada, comendo tudo que você pode imaginar para aliviar intestino preso. À noite, por volta das oito e meia, depois de mais uma tentativa de aliviar o incomodo, senti um “vazamento” mas não pude ter certeza o que era.
Depois de uns 15 minutos percebi que estava sentindo cólicas e que também estava com contrações. Não tenho ideia de quanto tempo já estava assim, porque neste momento elas já estavam bem seguidas.
Vocês podem imaginar meu desespero, estando em casa sozinha com meu filho de 4 anos, meu marido no trabalho sem contato e sem ninguém mais para pedir ajuda. Meu primeiro pensamento foi em pedir um Uber, até que percebi que seria meio arriscado e decidi chamar uma ambulância.

A chamada  da ambulância

A atendente entendeu minha emergência e logo acionou o serviço. Enquanto eles não chegavam, ela ficou me dando instruções. Primeiro para eu tocar e sentir se alguma parte de bebe estava saindo. “Como assim? Eu não posso ter esses bebes aqui”, dizia para ela. Ela parecia não ouvir e continuava me dando ordens: pega algo para cobri-los, acha um barbante e tesoura para cortar o cordão etc “Nãoooo,  isso não está acontecendo, eles não podem nascer aqui” eu dizia. Até que senti algo saindo. Senti uma bola e não sabia se era uma cabeça ou outra coisa. Corri para achar umas mantas, mas não consegui achar um barbante.

” Thomas, abre a porta”

Sim , meu filho de 4 anos, estava ali do meu lado e eu não podia me perder. Dentro de tudo o que estava acontecendo, ainda tinha que manter a calma por ele. Ainda que no outro dia ele tenha detalhado o que viu saindo da “perereca da mamãe”, acho que no fim tudo não passou de uma grande aventura para ele.
Quando ouvi as sirenes da ambulância lá fora, dei gracas a Deus que era dia de coleta de lixo e o portão estaria aberto.
Eles chegaram e eu já estava no chão esperando para ver o que viria.

A chegada da ambulância

“Ha quanto tempo estás sentindo contrações, quão seguidas elas estão?” O paramédico perguntou. Não sabia, ha uma hora, 5 minutos, que horas estava passando CSI? Rápido, vi a hora no relógio, calculei. Putz , não conseguia contar as horas.
Deixa eu fazer um adendo, tudo isso falando em inglês com os atendentes e português com o Thomas. Acredito que qualquer mulher que consiga passar por um trabalho de parto falando em outra língua que não a sua de origem, deveria ganhar, automaticamente, uma nota super alta em proficiência da língua.
Enfim,os paramédicos me acalmaram e confirmaram que não era nenhum bebe saindo ainda.Eles ligaram para o hospital, pegaram minhas coisas, deram a mão para o Thomas , me cobriram, puseram meus sapatos e me acompanharam até a ambulância. Me emociono escrevendo. Essas pessoas que nunca me viram antes, foram meus anjos da guarda, cuidaram de mim e do meu filho como ninguém mais nesse país pode fazer. Gratidão eterna por eles.

Na ambulância eles me deram o gás e eu me agarrei a ele como se minha vida dependesse disso. Não era alívio para a dor, só me deixava um pouquinho off por alguns segundos. O que, naquele momento de dor e estress, já era muito.

A chegada no hospital

Chegamos ao hospital, o que vi foram umas 20 pessoas correndo para la e para cá e o volume das conversas aumentando. Me passaram da maca para uma cama e logo em seguida da cama para a mesa de parto. Quando o médico me disse que faríamos o parto normal não acreditei. Como assim? Nãoo era esse o combinado, como vou continuar sentindo essa dor? Como vou achar forças para empurrar três bebes? Onde está o meu marido?

A hora do parto

E foi ai que rezei uma Ave Maria e fui. Ainda em choque, tentava fechar as pernas e parar de empurrar. Quando botaram o Daniel, primeiro bebê a sair na minha barriga, só pedi desculpas por ele ser tão pequenininho. O Lucas veio em seguida, acho que 3 minutos depois, como era menor nem lembro de ter feito muita força. Acho que sempre vou ser grata a ele por isso. E ainda tinha a Lisa. Só vi o medico botando uma “calcadeira” dentro da minha barriga e ajudado a puxar com as mãos. Logo pensei, já que ta ai, traz ela de uma vez. Mas não, lá veio ele pedindo para eu empurrar de novo. Ok, essa é a última, vamos lá. E foi, ela parecia a maiorzinha, mas era a que estava em maior sofrimento, foi direto para o oxigênio.

A dor

Depois disso fiquei esperando a dor passar como aconteceu no parto do Thomas, mas ela não passou. Ainda tive que expulsar as placentas, só mais uma forcinha. E a dor continuou. Descobri depois que da segunda gravidez em diante os músculos do útero já estão mais preguiçosos e demoram mais para contrair.
Além disso, o médico deu um remédio para ajudar a contrair ainda mais.

O primeiro contato do mano Thomas com os três irmãos.

Os sentimentos alterados “Não aguento mais ser educada”.

Nunca odiei tanto uma pessoa na vida como o médico e ainda por cima queria só me dar paracetamol. No way, agora eu já estava implorando, qualquer coisa mais forte por favor!
Lembro também de todo mundo olhando para mim e me parabenizando “Good job”, “You are amazing”, Well done mama, e eu olhava e sorria ,mas no fundo pensava “não aguento mais ser educada, odeio todos vocês também, façam essa dor parar”.O Thomas veio para a sala segurando dois balões de luva com carinhas desenhadas para dar para os irmãos. Estava super feliz e animado e a enfermeira tirou uma foto dele com a Lisa. Não parava de me fazer perguntas e me contar o que fez e eu só queria que ele ficasse quieto e não me tocasse.

Carol e os trigêmeos Lucas, Liza e Daniel. A primeira vez que Carol pegou os três no colo.

Odiei meu marido por não ter estado ali

Em algum momento durante isso tudo consegui finalmente falar com meu marido e contar que os bebês haviam nascido e estávamos no hospital. Ele não acreditou. Chegou , enfim, por volta da meia noite e,  por alguns momentos, também o odiei por não ter estado ali.
Enfim, depois tudo se ajeitou, duas noites no hospital, bebês na neonatologia e eu me recuperando aos poucos.

Primeira foto da família completa no hospital

O melhor parto é o parto possível no momento e o meu foi perfeito do seu jeito.

Essa foi com certeza uma das experiências mais fantásticas da minha vida. Algo inesquecível e único, a que hoje sou grata por ter passado. Acredito que o melhor parto é o parto possível no momento e o meu foi perfeito do seu jeito. Sou imensamente grata a todas as pessoas envolvidas nesse dia, elas fizeram o improvável possível e garantiram que eu e meus bebês tivessemos todo o cuidado necessário.
Acho que gratidão define tudo.

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Esse foi o relato da Carol. Para quem quiser seguir ela nas redes sociais: @londontripletsplus1

Sabemos que por trás de toda mãe de gêmeos ou múltiplos tem uma história emocionante. Você quer ver a sua por aqui? Mande seu relato para fale@metwo.com.br que a sua pode ser a próxima!!!

 

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Vanessa Rocha
Vanessa Rocha
Vanessa Rocha é mãe da Isabela e do Gabriel de 6 anos. Na Me Two, é responsável pela geração de conteúdo. Sempre ligada no que tem de melhor quando o assunto são os gêmeos. Formada em Farmácia, com especialização na área de oncologia, saiu do hospital onde trabalhava para se dedicar à dupla. Aos poucos, retornou para a área e hoje atua eventualmente em algumas clínicas. Sempre criativa nas brincadeiras com seus filhos e segura quando o assunto é cuidar dos gêmeos, traz ideias e inspira muitas mães.

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