Desfralde de gêmeos: acessórios, livros, dicas e experiências de psicólogas e mães de gêmeos

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Quando se fala em desfralde, é importante lembrar que não são os pais que desfraldam as crianças: elas mesmas deixam as fraldas quando estão prontas.

No caso de filhos gêmeos, a família precisa levar em conta vários sinais antes de decidir se está na hora certa de ajudar os dois filhos a serem desfraldados.

Aqui na Me Two, já fizemos um conteúdo especial para você com várias perguntas & respostas das principais dúvidas de quem está passando por esta fase. Falamos das idades em que o desfralde ocorre, de como saber se as escapadas são normais ou se está fora do comum, de quando decidir parar o processo ou seguir adiante.

Hoje, em parceria com a Alô Bebê, vamos trazer a continuação deste assunto com mais depoimentos de quem trabalha com psicologia e com infância, além do depoimento de uma mãe de trigêmeos que está passando por 3 fases distintas de desfralde com cada um dos filhos (e ela ainda tem um filho mais velho que já foi desfraldado). Então fica combinado assim: depois de ler a nossa primeira matéria sobre desfralde, você segue a leitura aqui!

Respeitar a individualidade é fundamental

O desfralde passa pela maturidade da criança no controle do esfíncter: ou seja, é algo físico, sim, mas que também passa pela via do emocional. “Não podemos ser invasivos como pais e profissionais querendo que a criança responda a um ritmo vindo de fora“, explica a psicoterapeuta psicanalítica Marta Müller Stumpf, mãe dos gêmeos Fernando e Rafaela, 3 anos.

Marta alerta para as famílias que também é preciso falar com a escolinha dos filhos, para que eles cooperem respeitando igualmente este ritmo individual de cada criança. “Defendo que temos todos que ir com muita calma, com gêmeos ou com outras crianças da mesma idade, pois nenhuma delas tem o desenvolvimento igual ao da outra. É preciso respeitar a individualidade de todos e seus jeitos de ser”, pondera.

O desfralde é indicado a partir dos dois anos e meio, pela questão anatômica e fisiológica, baseado na maturidade orgânica e psicológica (em geral completo até os 4 anos). Mas é claro que há crianças que conseguem antes e isso não se torna traumático. Mas como Marta salienta, estas são as exceções. “O desfralde não é de fora para dentro, com os pais decidindo pela criança, é algo de dentro (da criança) que começa”.

Forçar demais a situação não traz bons resultados e acaba causando outros transtornos, explica a psicóloga. “Nossa expectativa excessiva pra que algo aconteça pode gerar ansiedade na criança e frustração de não corresponder ao que os pais querem. Gera um sentimento de culpa por frustrar os pais, quando o desfralde é uma demanda dos adultos e da escola, e não da criança”, conclui.

Marta com sua duplinha

Acessórios que facilitam o desfralde

É fundamental oferecer um suporte para os pés da criança, isto é, ter uma base fixa. Usar apenas o redutor de assento não adianta – a criança não pode ficar com as perninhas balançando no ar.

O penico que a criança pode sentar e ficar com os pés apoiados no chão é uma das principais opções que toda família deve ter em casa. Você pode olhar as opções de troninhos disponíveis. Há ainda opções para os meninos de míni-mictórios, na altura das crianças, pois assim imitam o papai.

Outra alternativa é um assento redutor com escadinha, muito interessante para dar segurança e também para facilitar a evacuação (pela anatomia), já que os pés ficam apoiados nos degraus. No caso de quem comprar apenas o assento redutor, é preciso também providenciar um banquinho ou outra base que sirva de apoio para as perninhas do pequeno.

Algumas das muitas opções de troninhos da Alô Bebê

Livros e brinquedos também podem ajudar

É muito importante os adultos estarem preparados também quando a criança começa a dar sinais. Os pais e cuidadores vão ter mudanças na própria rotina quando os filhos estão passando de etapa no desenvolvimento. “Esta dica vale para qualquer alteração de comportamento significativa na vida familiar, como tirar a chupeta, deixar a mamadeira, tirar as fraldas”, explica a psicóloga Andressa Bortolini, mãe da Catharina e Fiorella, 5 anos e 10 meses, que mostra a rotina das meninas no Insta @Mothernidade.

Os recursos que Andressa indica em seus atendimentos são os mesmos que foram usados quando chegou a vez das suas meninas serem desfraldadas. Livrinhos temáticos sendo lidos com representações eram uma ótima pedida (veja abaixo os títulos), bem como jogos lúdico com bonecas, por exemplo. Levar a boneca com o penico junto para o “faz de conta” é muito bom!

“Um ótimo programa quando as crianças estão prontas é levá-las juntas para comprar calcinhas e cuecas, para motivar. Deixe que os gêmeos escolham, como personagens que eles gostem”, recomenda Andressa. Da mesma forma,  aproveitar as idas dos adultos ao banheiro para explicar como funciona: “A mamãe faz xixi no vaso, o papai faz em pé”.

Que tal um míni-penico de brinquedo também?

Dicas gerais das psicólogas mães de gêmeos

1 | Não tenham pressa, respeitem o ritmo dos seus filhos

“A criança vai pedir para tirar, vai ficar desconfortável em ficar de fralda, vai demonstrar interesse de ir ao banheiro ver o xixi e cocô do papai e da mamãe, vai ter curiosidade. Assim como as outras coisas dos ciclos da vida, estas etapas uma hora vão acontecer”, indica Marta.

2 | Com gêmeos, nem tudo é ao mesmo tempo

Sim, são duas crianças que nasceram juntas, mas cabe aos pais respeitar que cada um tem seu tempo. É uma ilusão achar que vai ser tudo igual sempre!

“Às vezes ocorre de um estimular o outro, assim como acontece na escolinha também, por imitação. Tem a ver com a autonomia. Mas, novamente, é preciso respeitar para que se sintam seguros”, alerta Marta.

Catha e Flor, filhas de Andressa

3 | Utilize recursos lúdicos e conte histórias

Quando sentir que está perto da hora do desfralde, dá para começar a abordar o assunto a partir de livros especiais. Aqui, as entrevistadas indicam 3 obras infantis. Leiam juntos, imitem as vozes, levem para o banheiro, tudo sem forçar a barra, apenas compartilhando as situações descritas pelos personagens.

 

Depoimento

“Tenho trigêmeos e cada um com seu tempo para desfraldar”

Carolina Meyer, mãe do Fred, de 5 anos, e de trigêmeos de 2 anos e 11 meses, compartilha em seu Instagram @fredeostrigemeos um pouco da sua rotina e aqui para a Me Two narra o desfralde dos filhos, na fase atual

Os trigêmeos de Carol

“Os trigêmeos são dois meninos e uma menina. A Isabela desfraldou com 2 anos e 3 meses por vontade própria: eu colocava a fralda e ela tirava. Então optei por um troninho musical e em questão de 10 dias ela já estava fazendo xixi e cocô no lugar certo, com poucos escapes. Na mesma época, fim do verão, aproveitei e tentei com os meninos, apesar de eles não estarem dando sinais.
Deixei 4 dias ambos sem a fralda, era xixi e cocô por todos os lados, decidi não forçar e voltaram para as fraldas. Com 2 anos e 10 meses, eles já estavam dando sinais, como avisando e se incomodando com a fralda cheia, então no mês passado resolvi tentar de novo. No primeiro dia Antônio estava com quadro de febre e decidi seguir só com o Valentin. Em 4 dias, tudo certo, usava o banheiro com facilidade e poucos escapes. Comecei com o Antônio. Não foi da mesma forma. A cada meia hora levava para o vaso, muitas vezes ele ficava lá sentado junto e gostava, mas não fazia nada (eu ficava do lado dando atenção e lendo histórias, os irmãos junto incentivando, era torcida bonitinha, mas não rolou). Quando percebi que estava muito difícil pra ele, perguntei se ele queria voltar para a fralda e respeitei a vontade dele. Neste último fim de semana, faríamos um longo passeio e conversamos, ele pediu a fralda. Desistimos de tentar neste momento e foi mesmo um alívio, pois eu já estava achando que estava forçando. Percebemos que não somos nós que desfraldamos os filhos: os adultos são só os facilitadores do processo.”

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Camila Saccomori
Camila Saccomori
Jornalista de Porto Alegre e mãe da Pietra, nascida em 2011. Desde a gravidez, passou a produzir conteúdos femininos e voltados a famílias em vídeo, foto e texto. Trabalhou por 20 anos no Grupo RBS e hoje faz conteúdos para a Me Two e projetos de maternidade pelo seu novo "filho", o canal @VamosCriar.

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