Ainda que sejam geneticamente idênticos, gêmeos univitelinos conseguem ser diferentes de um jeito incrível: hoje vamos falar dos gêmeos espelho.

É como o próprio nome indica: um irmão é como se fosse o “espelho” do outro em suas características, desde a mão que escreve até o lado para onde o cabelo mais se ajeita.

Antes de mais nada, vamos retomar a diferença entre univitelinos e bivitelinos: os univitelinos são os gêmeos idênticos. Sua formação inicia como na gestação única, com apenas um óvulo e um espermatozóide. Porém, em seguida, o zigoto (a célula-ovo) se divide, resultando dois geneticamente idênticos. Já os bivitelinos são sempre geneticamente diferentes, formados pela fecundação de dois ou mais óvulos por dois ou mais espermatozóides.

Assim, 25% dos univitelinos costumam ser gêmeos espelho. 

Esta situação está relacionada ao tempo em que o zigoto demora para se dividir após ser fertilizado (por exemplo, quando se separa mais tarde do que o habitual, por volta do sétimo dia ou depois, por volta do 9º  ou 12º dia). A Me Two consultou os principais centros de pesquisa sobre gêmeos que abordam o assunto, como a Twins Research Australia e a SRI International.

Quais as características de ser gêmeo espelho

Os gêmeos têm uma imagem espelhada de si mesmos. Obrigatoriamente um será destro e outro canhoto. Às vezes até a impressão digital é espelhada! Se tem redemoinhos no cabelo, um será de um lado e o outro espelhado. Muitas vezes até marcas de nascença são da mesma forma: um com marca no ombro direito, outro no esquerdo, por exemplo.

Não existe um teste específico para determinar se os gêmeos são espelhos mesmo. Esta identificação vem da observação. Em casos raríssimos, quando o óvulo se dividiu muito mais tarde, existem até situações da localização interna dos órgãos serem espelhados, como o coração do lado direito, por exemplo, ou o fígado e o apêndice em posições espelhadas dentro do corpo.

Se não são espelhos, podem ser “cópia carbono”

Seus gêmeos fazem tudo do mesmo jeitinho, mas não são espelhados? As pesquisas mais recentes que observam os gêmeos chamam esta situação de “cópia carbono” (carbon copy). É quando gêmeos idênticos não exibem características espelhadas, mas são idênticos em todos os detalhes: ambos escrevem com a mesma mão, o cabelo vira sempre para o mesmo lado, eles param em posições sempre iguais. Ou seja, é como os marcadores genéticos tenham sido marcados como uma cópia em carbono.

Mães de gêmeos espelho compartilham suas observações

A Me Two convidou mães de gêmeos e também uma dupla de gêmeas adultas para falar sobre suas características de gêmeos espelho!

“Quando nasceu o primeiro dente da minha filha Liz, observei que foi o direito. E em seguida o da Laura foi o esquerdo. Comentei com o pediatra e ele trouxe a possibilidade de serem gêmeas espelho. Vejo desde então que elas são mesmo complementares assim, na posição de dormir, brincando ou até mesmo paradas. Liz é canhota, tem mais firmeza em uma mão, e Laura na mão direita, como se vê na foto em que estão escovando os dentes (primeira foto acima na matéria, veja na foto principal).”

Graziella Mazim, Espírito Santo, mãe de Laura e Liz, 1 ano e 2 meses

“Comecei a notar notei que eles ficavam na mesma posição já bebês desde que nasceram. Muitas vezes ficam assim, de frente um para o outro. Observei as posições que eles ficavam, principalmente quando estão dormindo. O que mais chama a atenção é que um é destro e o outro canhoto. Percebi logo que eles começaram a comer sozinhos com um ano e seis meses mais ou menos. A gente até tentou incentivar que fizesse com a outra mão, mas é claro que não adiantou (risos).”

Carine da Silva Freitas, mãe do Henrique e do Bernardo, 5 anos

“Nós somos bem unidas! Desde pequena já sabíamos que éramos espelho, foi minha mãe que nos contou. Quando mais nova vi que tinha até casos de gêmeos com os órgãos em posições trocadas. Com a gente é assim: eu, Isabela, sou canhota, e a Lud é destra. Meu cabelo sempre teve a franja para a direita e a da Lud para a esquerda. Também ouvimos mais sobre o assunto em uma convenção sobre gêmeos na USP em 2016, quando então pesquisamos um pouco sobre o tema.”

Isabela e Ludmila Alves, 19 anos, brasileiras morando em Portugal

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