Uma mãe + duas crianças = duas homenagens de Dia das Mães nas escolas. Mas esta conta nem sempre é fácil de fechar!

Tanto se os gêmeos estudam na mesma sala de aula quanto se estão em turmas diferentes, há situações em que as mães relatam que precisam se dividir ou então que a escola poderia ter mais jogo de cintura.

Com a proximidade da data, a Me Two aborda o tema para ampliar a questão, que surgiu também durante nosso 1º Workshop de Gêmeos e Múltiplos, em Gramado, no último dia 6 de abril. Durante uma das palestras, a participante Janine Priscila relatou que seus pitocos filhos gêmeos de dois anos precisaram no Dia das Mães do ano passado dividir o mesmo presentinho feito pelas professoras na Educação Infantil.

— Aquelas quatro mãozinhas segurando um único presentinho para mim, vindo caminhando em minha direção. Meu filho, incomodado, queria ele próprio sozinho trazer o seu. E ele tinha razão, não é mesmo? A escola precisa entender que eu sou uma mãe só, é claro, mas eles são duas crianças! — disse a mãe de Thiago e Luíza, 2 anos.

Esse tipo de situação precisa ser previsto caso a caso pela escola: esta é a opinião da coordenadora educacional do Colégio Israelita Brasileiro, Sônia Maria do Nascimento Alves, que incentiva um cronograma detalhado para as escolas nestas datas importantes, mesmo que exija um esforço grande.

— Antes de qualquer situação, é preciso ter um diálogo aberto com as famílias, para entender a necessidade de cada uma, estejam os filhos juntos ou separados na mesma turma. Se eles estão em aulas diferentes, organizar para a mãe ir a todas as apresentações, sejam gêmeos ou quadrigêmeos. Cada filho é um filho só! — afirma Sônia.

Assim, por cada criança ser unica, cada filho vai se manifestar de um jeito: estimulado pelas professoras, vão fazer um cartão, escolher qual música cantar, confeccionar as lembranças e os trabalhinhos… Sim, tudo no plural mesmo!

— O que podem fazer de melhor para a mamãe? Tem muiito afeto e muito amor envolvido nesta hora. Cada mãe precisa ter seu momento de homenagem, a escola tem que propiciar este cuidado.

A seguir, as três mães idealizadoras da Me Two compartilham suas experiências (nem sempre 100%) dos Dias das Mães passados nas escolas. 

“Tem que ser uma data leve, para multiplicar amor em vez de dividir”

Vanessa Rocha, mãe da Isabela e do Gabriel, 6 anos  (foto acima)

Meu primeiro dia das mães na escolinha foi o mais emocionante: confeccionei com os meus filhos dois presentinhos, eles estavam na mesma turma, me dividi para fazer um pouco com cada um deles. Depois que foram para o “colégio grande”, a escola sempre teve o cuidado de entrar em contato conosco para saber se as datas estavam OK. No ano passado, acabou sendo a mesma data, mas no momento principal foi cuidado para que eu tivesse um momento em cada turma. Mesmo assim, quando eu precisei sair de um e ir para outra, senti que eles gostariam que eu tivesse ficado mais (mesmo que o principal tenha sido com ambos juntos). A cara do Gabriel na foto acima mostra um pouco essa contrariedade! Acho importante ser em datas diferentes se estudam em turmas separadas. Tem que ser uma data leve, mas antes do dia chegar ficamos esperando para ver como a escola irá conseguir tentar sincronizar. O recado é que transformem esta angústia prévia das mães de gêmeos em um momento de multiplicar amor, em vez de dividir amor.

“Me perguntaram como ficaria melhor para nossa família”

Elisa Scheibe-Marty, mãe do Martin e do Franco, 5 anos (foto acima)

Quando os meninos estavam na escolinha, juntos na mesma turminha, o Dia das Mães era um momento único, no qual eu me sentia uma supermamãe, sendo abraçada e presenteada por dois meninos amados e com o colo cheio (mãe-polvo que fala, né?! risos). Já no ano passado, ainda na Educação Infantil, com cada um em sua própria sala de aula, a escola uniu as duas turmas para o início das homenagens. Em um segundo momento, os dois ficaram comigo e nós ficamos um pouco em cada turma. Ao mesmo tempo em que me senti homenageada, com o fato do colégio ter unido as duas turmas dos meus pequenos num primeiro momento (e acredito que tenha feito em função deles serem gêmeos), me senti tendo que fazê-los se dividirem e se separarem da turminha no momento da atividade na sala de aula de cada um. Para a apresentação de final de ano, me perguntaram como ficaria melhor para nossa família. Agora, neste ano, já fui avisada que as homenagens acontecerão no mesmo horário novamente, mas sei que estão ensaiando as mesmas músicas e que muitas turmas ficarão juntinhas, então estou curiosa para ver como será, esperando ansiosa este dia de emoção.”

“Cada filho deveria dar o seu presentinho para a mãe”

Thais Reali, mãe do Nicholas e do Thomas, 4 anos  (foto acima)

Como meus filhos sempre estudaram juntos até agora, na Educação Infantil, a apresentação de Dia das Mães sempre foi na mesma ocasião. Nunca precisei estar em dois lugares ao mesmo tempo. Ganhei sempre um cartão de cada um. Porém, o presente que é maior (repassamos uma verba para a escola e eles providenciam uma surpresa, como uma foto em porta-retrato ou outro item) sempre foi só um para os dois me darem. Isso me incomodava um pouco, pois acho que cada um deveria dar o seu presente. Mas também talvez não fizesse muito sentido receber duas coisas exatamente iguais. Se nos próximos anos decidirmos separá-los de sala de aula, gostaria de poder estar nas duas apresentações e receber dois presentes. Isso ajuda muito em função de eles entenderem que, sim, sou só uma mãe, mas eles são dois indivíduos.”

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