Dicas para desfraldar gêmeos e depoimentos de mães que já passaram pela experiência

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Desfraldar = processo de tirar a fralda das crianças, para que elas passem a fazer xixi e cocô no vaso quando estiverem prontas.

E quem precisa desfraldar gêmeos, como faz? Os dois ao mesmo tempo? Um primeiro e depois o outro? Qual a idade indicada?

Conversamos com uma pediatra e também com várias mães de gêmeos para coletar dicas e insights de cada experiência, para ajudar você quando a hora do desfralde chegar. A dra. Lúcia Diehl, do instagram Fica Tranquila, Mamãe, tem muitos anos de dedicação aos pitocos e orienta as famílias sobre o assunto.

Nós três da Me Two e outras duas mães de gêmeos também colaboramos com nossas histórias e esperamos que sejam úteis para quando o momento de tirar as fraldas dos seus filhos chegar!

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Por que é mais indicado fazer o desfralde no verão?

O desfralde pode ocorrer em qualquer época do ano, explica dra Lúcia. Mas no verão, as famílias costumam achar mais cômodo e pratico. O principal motivo é que as crianças sentem calor e os pais costumam estar em férias. Então, ficam só usando calção ou calcinha, o que torna mais fácil do que desfraldar no inverno. Quando a criança está aprendendo a ser desfraldada, faz xixi na calça, na cueca… Então é mais prático no verão fazer a troca da roupa e limpar. Sem falar que os pais estão mais disponíveis nestes momentos.

Existe idade mínima para o processo de desfralde?

Antigamente, era comum o bebê completar dois anos de idade e a família já começar o desfralde. Porém, hoje em dia temos a noção de que é preciso esperar os sinais! E que sinais são esses, dra Lúcia? Bom, a criança primeiro precisa saber falar. Ela mesma consegue entender as orientação e já chama a atenção dos pais sobre isso. Outros sinais de que está pronta: começa a puxar fralda, passa horas sem fazer xixi, quando você a coloca no penico ela faz, a fralda fica sequinha por muito mais tempo do que antes. A pediatra informa que estatisticamente o desfralde DIURNO começa entre os dois anos e meio e os três anos. Já a fralda noturna exige outro processo: a bexiga precisa estar mais treinada, o organismo também precisa amadurecer e a criança precisa ser capaz de dormir com pelo menos seis horas diretas sem fazer xixi. É o reflexo de sentir vontade de fazer xixi e prender a bexiga.

Em caso de gêmeos, é indicado fazer o desfralde dos dois juntos ou em separado?

“É preciso sempre ressaltar a individualidade de cada um”, ressalta a pediatra. Assim como um irmão vai caminhar mais rápido ou mais devagar do que outro, começar a falar antes ou mais tarde… Também a questão do desfralde precisa ser olhada um a um, e não a dupla. No entanto, dra Lúcia ressalta que, assim que um gêmeo é desfraldado, normalmente o outro age por imitação: o comportamento do que está mais maduro influencia no comportamento do outro, que logo em seguida vai começar a ser desfraldado também.

Quando sei que devo parar ou postergar o processo de desfralde?

“A gente sempre tem que dar o tempo da criança”, explica a pediatra. Vários fatores podem atrasar o desfralde e o amadurecimento. A família não pode forçar uma coisa da qual o bebê ainda não é capaz. Muitas situações de angústia atrapalham: divórcio dos pais, doença na família, uma nova escola, mudança de casa, a chegada de outro irmão. Programe o desfralde para momentos em que nada de diferente esteja acontecendo na vidinha deles.

Como saber se as escapadas são normais ou se a criança realmente não está pronta?

Nos primeiros dias é aceitável escapar xixi, mas observe a frequência. Muitas vezes o que acontece é que a criança começa a tirar a fralda e passa a fazer xixi por toda a casa! Feito um cachorrinho, compara dra Lúcia. Ou então a cada vez ela vai em um cantinho e pede para fazer na fralda mesmo. São sinais de que ainda não está totalmente pronta.

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Vanessa Rocha, mãe de Gabriel e Isabela, seis anos

“Isabela demonstrou diversas vezes estar pronta para tirar: avisava que fazia xixi e, para fazer cocô, sempre escolhia o mesmo canto da casa, se abaixava e fazia lá. Depois, avisava para limpar. No verão em que ela completou dois anos, comecei o processo de desfralde na função de vai ao mar, volta, banho, coloca fralda etc. Foi bem fácil o desfralde do xixi, de forma muito natural, tendo somente um ou dois escapes. E, pasmem, nenhuma vez noturno. Tiramos a fralda noite e dia dela de uma vez. Havia problemas só com o cocô: ela não ficava à vontade de fazer no vaso sanitário. Dava para ver que se sentia mal ao ver indo embora com a descarga. Toda vez pedia pra colocar a fralda. Deixei no tempo dela. Contava histórias lúdicas sobre o cocô, dávamos tchau pra ele, estas estratégias. Até que depois de uns dois meses, ela aceitou não colocar mais a fralda para fazer cocô.
Já o Gabriel ficou sem a fralda diurna no final do mesmo verão. A noturna demorou mais uns três meses para acontecer. No início, sempre acordávamos de madrugada para levá-lo sonolento e fazer xixi. Tiveram alguns escapes, mas tudo dentro do normal. Ao contrário da Isabela, nunca teve problema em fazer cocô no vaso sanitário. Respeitei o tempo dos dois (acredito que foi cedo, com dois anos e um mês) e tudo deu certo.” 

Thais Reali, mãe do Nicholas e do Thomas, 4 anos

“Sempre achei que Thomas seria o primeiro a ser desfraldado: ele nunca gostou muito de usar fralda, se coçava e reclamava. Mas para nossa surpresa, o Nicholas foi quem tirou primeiro a fralda diurna, logo depois de deixar a chupeta. Já o Thomas tirou a fralda diurna em seguida, uma semana depois do irmão. Isso faz um ano, foi no Natal do ano passado. Depois disso, um dia o Nicholas disse que não queria mais dormir de noite com fralda. E assim foi! Já o Thomas ainda usa fralda de noite. Não estou preocupada em tirar, porque sinto que ele não está preparado. Não vou acelerar, vou deixar tudo ao natural, não gosto de nada forçado. A gente precisa sentir muito cada criança, o tempo dela, e ele não fica incomodado porque o mano não precisa mais usar fralda.”

Elisa Scheibe-Marty, mãe do Martin e do Franco, cinco anos

“Tentei pela primeira vez quando os guris tinham dois ano e meio, mas tive que voltar atrás em relação ao desfralde. No verão seguinte, depois que eles fizeram 3 anos, tentei novamente depois da primeira experiência mal sucedida. Por eu já ter passado pela tentativa, decidi desta vez fazer um de cada vez, começando pelo que eu imaginei que estivesse mais preparado. Compramos cuecas juntos, peniquinho musical, redutor de assento, um livro com cartela de adesivos e todos os acessórios. Nesse primeiro momento com o Martin, eu não dava tanta importância para o assunto com o Franco, não exaltar o que o outro mano estava conseguindo. Já quando começamos o processo com o segundo, passei a enaltecer ambos e mostrar os resultados. Foi um processo rápido incluir o segundo no processo, apenas duas semanas depois já estava tudo encaminhado. Para o desfralde noturno, decidi que eles iam dar os sinais. Antes nós percebíamos que as fraldas sempre amanheciam muito cheias de xixi. Até que um dia o Franco acordou de madrugada e pediu para ir no banheiro e disse que não queria mais usar a fralda. Agora com o Martin estamos em andamento com o processo da retirada da fralda noturna.”

Tati Souza, mãe dos gêmeos Giovana e Yago, 6 anos
Do perfil @gemeosemultiplos

“Os gêmeos são autistas (leve e moderado), então o desfralde foi com muita paciência e calma, no tempo deles. Apesar de serem gêmeos, o desfralde ocorreu de forma individual. Iniciei primeiro com o menino que demonstrava mais sinais, pois se incomodava com a fralda suja. Yago estava com 2 anos e 10 meses quando desfraldou. Comecei colocando no troninho antes de dormir. A ideia era que ele compreendesse que ali era o lugar de fazer xixi e cocô. Mesmo se ele não fazia nada, colocava ele lá . Depois de uns dias, comecei a colocar no troninho logo ao acordar (bexiga fica cheia ao acordar, o que ajuda muito). Aos poucos colocava durante o dia. Foi aí que passei a deixar ele só de cueca. Levava ao banheiro a cada 20 minutos. E sempre falava o que íamos fazer. Vale tentar de tudo: abrir um pouco a torneira, sentar para fingir que faz xixi também…
Com a Giovana foram quatro tentativas. Ela é autista moderado, e Yago é leve. Pensava que ela iria desfraldar vendo o Yago, até tentamos, mas ela ficava muito nervosa. Então não forçamos na época. Fiz o mesmo esquema do desfralde do Yago. Colocar antes de dormir… Depois ao acordar para se familiarizar. Mas tinha um único detalhe: não podíamos falar para ela que ia fazer xixi. E também não podia ficar perto olhando! Era levar ao banheiro, deixar lá, não falar nada e sair. Foi aí que ela desfraldou, com 4 anos e 10 meses. O desfralde noturno veio logo em seguida para ambos. Em 15 dias acordavam com fralda seca aí tiramos a fralda. Lógico que neste processo teve muitos escapes. Mas isso faz parte. Nunca briguem com eles por isso. Sempre expliquem que o lugar do xixi do coco é no banheiro. E quando fizer no lugar certo parabenize a criança por isso.”

Lívia Kruel, mãe do Mateus e do Lucas, 3 anos
Do perfil @gemelando

“Tudo começou quando os meninos estavam com 2 anos e 4 meses. Era fevereiro e estávamos na praia para passar as férias. Eu e meu marido pensamos: der errado, tudo bem! Não ter o compromisso de dar 100% certo. Acho imprescindível que as crianças já estavam falando para fazer o desfralde. Eles precisam verbalizar sua vontade para não se sentirem atropelados. Em alguns momentos do dia, deixávamos eles sem fralda e mostramos o lugar do xixi e do cocô. Em poucos dias (2 ou 3 dias) eles já faziam xixi nos lugares certos. Porém, acabaram as férias e voltamos para casa. No dia seguinte já começou a escola e optei por manter eles de fralda. Era uma escola nova e não quis misturar desfralde com adaptação à nova escola. Acho que foi uma decisão certa: uma coisa de cada vez! Depois de duas semanas na escola, teve o feriado do Carnaval. Quando os meninos acordaram, expliquei que já estavam grandes e que a fralda era para bebês. Levei eles aos lugares da casa onde eles poderiam xixi/cocô e deixei eles só de cueca. Ao longo do primeiro dia, tivemos várias escapadas, mas nos mantivemos firmes na decisão. Precisei comprar mais cuecas (comprei 20 cuecas iguais – a mulher da loja me achou louca). Naquela dia a gente decidiu ir ao shopping e veio a dúvida: colocar ou não a fralda? Pensamos que não dava para confundir os meninos: ou usa fralda ou não usa mais. Deu certo! Nenhum escape! Eu perguntava para os meninos a cada 15min se queriam fazer xixi. Mesmo com resposta negativa, levei ao banheiro e os dois fizeram xixi! Os dias seguintes foram de cada vez menos xixi fora do lugar, mas o cocô era sempre durante a noite. Ah! E optamos pelo xixi em pé, pois eles têm o exemplo do pai em casa. Acho mais prático porque atualmente eles já fazem sozinhos (baixam a cueca e fazem no penico ou na grama). Se fosse sentado eles não conseguiriam ter esta autonomia. E é mais limpo porque não preciso limpar a privada antes de colocar eles sentados.”

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Camila Saccomori
Camila Saccomori
Jornalista de Porto Alegre e mãe da Pietra, nascida em 2011. Desde a gravidez, passou a produzir conteúdos femininos e voltados a famílias em vídeo, foto e texto. Trabalhou por 20 anos no Grupo RBS e hoje faz conteúdos para a Me Two e projetos de maternidade pelo seu novo "filho", o canal @VamosCriar.

2 Comments

  1. Andreza Lasalvia disse:

    Muito obrigada pelas dicas metwo.Meus gêmeos estão com dois anos e 3 meses e já estou pensando no desfralde que devo iniciar no final deste mês.Grata.

  2. Juliana Nunes disse:

    Adorei o assunto e os comentarios, foram muito úteis pois estou nesta fase com meus gêmeos !!
    O melhor é que estou no caminho certo !
    Obrigado pelas dicas

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