Qual pai e mãe de gêmeos consegue resistir à ideia de ver os dois filhos com roupas iguais?

É mesmo tentador e uma gracinha ver a dupla (ou o trio) “combinados”, não é mesmo? Levante a mão quem nunca sucumbiu à tentação pelo menos para uma fotinho!

Aqui na Me Two, somos três mães de gêmeos em três configurações: Elisa tem dois meninos univitelinos, Thais tem dois meninos bivitelinos e Vanessa tem um casal. Assim, a questão das roupas também é diferente (leia nossos depoimentos logo a seguir na matéria). Em algum momento da vida, é claro que todas nós já vestimos nossos filhos de forma igual: é muito fofo!

Conversamos com outras mães de gêmeos e descobrimos que este assunto é mesmo popular. Levamos as dúvidas das mães sobre o tema para a psicóloga clínica Andréia Saltz Grinberg, 44 anos, especialista em infância, adolescência e adultos. E, adivinhe, ela fala com conhecimento de causa: é mãe do Benjamin e Gabriela, de 3 anos e 10 meses.

Afinal, por que a gente gosta tanto de vestir nossos twins de forma igual?

— As pessoas gostam muito de ver gêmeos e múltiplos, é uma temática que desperta mutia curiosidade. Realmente não tem mãe de gêmeos que nunca tenha vestido ambos iguais, porque é muito fofinho e desperta toda uma questão de prazer. Do ponto de vista dos pais, por exemplo, evoca o prazer e a questão de realização pessoal, pois “visivelmente falando”, colocar as mesmas roupas nos dois é o que denuncia e atesta, sim, para que as pessoas vejam que são gêmeos — explica a psicóloga.

E tem mais: não é só por prazer de vê-los idênticos. Devemos levar em conta os fatores conveniência e praticidade, porque realmente em muitos momentos é mais prático vestir iguais e não ter que pensar em diferenciações. Andréia explica que não é algo negativo ter roupas iguais e objetos iguais, além de fazer as mesmas coisas e sempre juntos: estes comportamentos reforçam a identidade gemelar, o que pode ser necessário em alguns (ou muitos) momentos do desenvolvimento dos gêmeos e também para os pais.

Mas agora vem o “xis” da questão: nosso grande desafio como pais é ajudar os filhos gêmeos a construírem suas próprias identidades. E, sim, as roupas vão contribuir para facilitar ou dificultar esta parte do desenvolvimento. Andréia afirma:

— Precisamos ajudá-los na individuação, o que é um grande desafio porque são duas ou mais crianças vivendo o mesmo momento de vida. A roupa irá se somar a outros comportamentos da família. Entre os quais, do ponto de vista emocional, destaco o hábito de chamá-los pelos nomes próprios, em vez de “os gêmeos”, “os trigêmeos”. E valorizar as sutilezas e particularidades de cada um, que é essencial para construir a individualidade deles.

Ou seja, independentemente de vestirem roupas iguais ou parecidas, o que realmente vai fazer diferença é os irmãos estarem assegurados da relação especial que eles têm e que é importante é isso, sim, mas que se sintam seguros e capazes com suas semelhanças e também suas diferenças.

Para terminar, Andréia propõe uma brincadeira: como é o assunto das roupas sob o ponto de vista deles? Será que gostam de se verem vestidos com looks iguais? Isso os incomoda ou os diverte? Faça o teste na sua casa e conte para a gente!

A seguir, confira depoimentos sobre o assunto e não esqueça de deixar seu comentário também!

Fernanda Costa Linhares, 37 anos, advogada, mãe das univitelinas Beatriz e Heloísa, 2 anos e 10 meses

“Eu fazia terapia quando descobri que estava grávida de gêmeas e abordei esse assunto com minha psicóloga, que disse algo que me marcou. Até os dois anos de idade, as meninas não conseguiriam diferenciar o que era de cada uma, então poderiam ter as roupas compartilhadas. Eu não tinha cores certas para cada uma delas, não criamos este vínculo, usavam tudo juntas. Quando já tinham mais de dois anos, separamos as roupas e ficou um armário para cada. Hoje em dia elas já sabem o que é de quem. Acontece, de quererem trocarem as roupas, hoje tu me empresta? Quando ambas topam, está ótimo. Se não querem, tudo bem. Sempre gostei muito de comprar uma peça do mesmo modelo em cores diferentes. E normal acontecer de uma querer vestido, a outra também quer também. Mas eu sempre digo para elas que podem cada uma escolher sua roupa, que nem sempre precisam ficar combinando.”

Bárbara Silveira, empresária, 41 anos, de Gramado, mãe Maria e Matteo, 2 anos e 6 meses

“Sempre gostei de vesti-los parecidos, pois vestir roupas 100% iguais é mais difícil de conseguir por serem menino e menina. Normalmente encontro a mesma estampa para tamanhos diferentes ou a mesma para um deles, mas o casal não é muito fácil de achar. Quando eu encontro a mesma estampa uso para datas festivas, tipo aniversários, quase exatamente iguais, ou então combinando. Se um está com xadrezinho, faço um look parecido para o outro ou algo para que eles fiquem em sintonia entre os dois. É algo que sempre gostei, desde bebês.”

Elisa Scheibe Marty, mãe do Martin e do Franco, 5 anos, coidealizadora da Me Two

“Gosto de vestir os manos parecidos, normalmente com o mesmo estilo de roupa e cores diferentes. Facilita bastante tanto na hora de comprar como na hora de escolher. E como meus filhos são bem parecidos (mesma cor de cabelo, peso e altura), elegemos uma cor para um deles, pois quando eram bebês facilitava na hora de separar o que era de cada um (chupeta, paninho de boca, toalha de banho, pijama, etc). E, sim, isso também contribuía para as pessoas que nos ajudavam a reconhecê-los e diferenciá-los. Até hoje seguimos mais ou menos assim, mas sem dar tanta ênfase a este assunto, pois não queremos que eles se limitem nas escolhas, no caso de só existirem opções (de brinquedo, roupa, etc) na cor usada por um deles.”

Thaís Reali, mãe do Nicholas e do Thomas, de quase 4 anos, idealizadora da Me Two

“Prefiro vestir cada um diferente. Hoje cada um tem seu estilo! Mas muitas vezes já vesti ambos com estilos parecidos, mas usando as cores diferentes. Aqui em casa,por exemplo, Nico ama amarelo e Tho adora azul. A questão das cores acho que um pouco a gente ajudou a incutir, pois desde bico e mamadeira e outros acessórios, tudo era diferenciado assim quando bebês. Claro que o Nicholas usa azul também, então às vezes os dois estão com a mesma cor. Até as cuecas cada um tem as suas, e que ninguém tente me engambelar! Em viagem às vezes é preciso fazer trocas, mas não aceitam.”

Vanessa Rocha, mãe da Isabela e do Gabriel, de 6 anos, coidealizadora da Me Two

“Gosto de vestir diferente, até porque tenho um casal, então não é tão complexa essa questão. Mas de vez em quando ver os dois vestidos parecidos, seja com fantasias ou vestir da mesma cor em comemoração de aniversário, vale muito e fica tão bonitinho!”

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