Conheça a história de luta e superação da advogada Michelle Squeff pela recuperação das filhas Antônia e Catarina. Síndrome foi descoberta na 24ª semana de gestação

Tatiana Lemos

Quando estava grávida de 24 semanas, a advogada Michelle Squeff descobriu que as gêmeas Catarina e Antônia estavam sofrendo da Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF). No tempo em que ficou internada no hospital, pesquisando sobre o assunto, ela enviou uma mensagem para no grupo de whatsapp de mãe de gêmeos contando o que estava acontecendo e perguntando se alguém havia enfrentado o mesmo problema. A resposta foi o silêncio. Esse foi um momento marcante para ela, que ainda desconhecia a síndrome e o tamanho das dificuldades que a família enfrentaria nos meses seguintes.

A STFF é uma complicação rara que pode ocorrer nas gestações de gêmeos quando os dois fetos estão dividindo a mesma placenta, gerando consequências graves aos bebês.

Assim, uma cesárea de emergência foi realizada na 26ª semana de gestação, e as gêmeas Antônia e Catarina nasceram com 715 gramas e 772 gramas, respectivamente, prematuras extremas, exigindo um cuidado redobrado da equipe médica.

“Elas saíram da barriga e foram imediatamente para a incubadora. Portanto, foi um nascimento sem colo, sem escutar o choro, sem toque de mãe”, conta Michelle, que só pôde escutar o choro das filhas cinco meses depois.

Nas semanas e meses que se seguiram, a Michele e o marido passaram a se dividir entre a UTI neonatal, no cuidado com as gêmeas, e a rotina do filho mais velho Henrique, então com cinco anos. Foram cinco meses no hospital, onde as pequenas guerreiras enfrentaram muitas cirurgias e momentos dramáticos.

Aos 20 dias, elas fizeram o fechamento do canal arterial, uma cirurgia extracardíaca de alta complexidade.  A Catarina, logo depois, fez uma nova cirurgia por conta de uma hérnia inguinal.  Aos cinco meses, mais uma intervenção devido ao excesso de refluxo e para a colocação de uma sonda de gastrostomia na barriga. Antônia precisou ainda colocar uma sonda de traqueostomia, que usou por nove meses.

 

Hora de ir para casa

Na volta para casa, mais desafios. A família precisou reformar os cômodos para receber as meninas e os profissionais que passaram a circular por ali 24 horas por dia. Como diz a Michelle, a rotina da casa passou a se parecer com a administração de uma empresa, de tanta gente e tantos procedimentos que eram necessários para garantir a recuperação e o desenvolvimento das gêmeas.

Mais de dois anos já se passaram e, somente agora, a família começa a experimentar sinais de normalidade. A Michelle voltou a trabalhar e assumir novos desafios profissionais. Também está nos planos dessa mãe guerreira sua “recomposição como mulher”, após o longo período de dedicação quase exclusiva às filhas. Catarina e Antônia hoje estão bem, a parte neurológica foi preservada e começaram a comer por via oral, mas ainda usam a sonda de gastrostomia. Caminham, correm e conseguem ter uma vida normal.

gêmeas transfusão feto fetal
Catarina & Antônia

A batalha é grande, há muita dor e medo no caminho, mas Michelle e as filhas são a prova de que a STTF pode ser superada. Para as famílias que estão passando ou vão passar pela síndrome, um conselho:

“Eu diria para esta família ter muita calma, na UTI neonatal todo o dia é segunda-feira, todo dia é dia de recomeço. A gente viu muitos milagres lá dentro”.

 

No vídeo, a Michelle conta mais sobre a Síndrome da Transfusão Feto-Fetal e a batalha pela vida das filhas:

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