Seja você uma grávida que anota no papel ou faz lista no celular para levar à consulta com o obstetra, é certo que muitas dúvidas são comuns a várias mulheres que vão ser mães de gêmeos.

Neste Dia do Médico, 18 de outubro, conversamos com o ginecologista e obstetra Dr. Wagner Hernandez, de São Paulo, referência em gestação gemelar, sobre as 5 perguntas que o médico mais ouve de suas pacientes que esperam gêmeos e múltiplos.

Anote para perguntar na sua próxima ida ao obstetra também. Tenha uma boa hora!

1
Meus bebês vão nascer antes do tempo?

Dr. Wagner responde: “A principal dúvida das futuras mães de gêmeos acaba sendo o medo da prematuridade, que é realmente maior em uma gestação gemelar, pois toda gravidez de gêmeos é considerada de maior risco. Explico às pacientes que a idade gestacional média para gestação gemelar é de 36 semanas e que metade dos gêmeos costumam nascer antes das 37 semanas. Também oriento sobre o que existe de técnicas de rastreamento, que seria medir o colo do útero através do ultrassom transvaginal na época do ultrassom morfológico, explico que a orientação de repouso não é padrão para todas, assim como a circlagem, a progesterona… E aí vamos adequando as indicações de acordo com cada paciente”.

Assista ao vídeo em que dr. Wagner esclarece outras dúvidas sobre prematuridade:

2
Até quantas semanas minha gestação deve ir?

Dr. Wagner responde: “Todas as mulheres grávidas de gêmeos perguntam qual a idade gestacional máxima que deverá ocorrer de acordo com o número de placentas e sacos. Embasado pela literatura médica, esse tempo costuma ficar em torno de até 32 semanas, no máximo 34, em casos de uma placenta e uma bolsa (gestação monocoriônica e monoamniótica). Já quando se trata de uma placenta e duas bolsas (monocoriônica e diamniótica, a gestação costuma chegar até 36 semanas em média, indo no máximo até 37. Já em casos com duas placentas e duas bolsas (dicoriônicas e diamnióticas, que são as mais comuns, a gestação acaba chegando até 38 ou 39 semanas.”

Tipos de gestações gemelares

3
Que tipo de parto posso ter?

Dr. Wagner responde: “Primeiramente é preciso respeitar o desejo da gestante e do casal. Quando me perguntam sobre a possibilidade de ter parto normal, respondo que é fundamental ter o primeiro bebê com a cabeça voltada para baixo, ou seja, na posição cefálica. É importante, também, que o segundo bebê não seja muito maior do que o primeiro, independente da posição em que esteja. Também é preciso levar em conta a experiência do obstetra para que isto ocorra. E o hospital escolhido deve ter uma retaguarda boa para gêmeos, independentemente do tipo de parto. No caso de paciente com cesariana anterior, irá depender de cada caso, mas não é um fator de exclusão.”

Assista ao vídeo com dr. Wagner Hernandez para tirar suas dúvidas sobre os MARCOS IMPORTANTES da gravidez gemelar:

4
O quanto posso ou devo engordar na gravidez?

Dr. Wagner responde: “O assunto da nutrição na gravidez é sempre importante de ser abordado. Quanto à questão do ganho de peso, as gestantes costumam se assustar quando falo que pode chegar ao dobro de uma gestação única, isto é, algo entre 16 e 24 quilos. Tem que ganhar peso mais precocemente, porque a gestação é mais curta. Indicamos a suplementação de polivitamínicos em dose dobrada, pois há estudos que mostram melhores resultados em gravidez gemelar. No geral, o consumo adicional por feto é de 300 calorias extras ao dia, então não é uma quantidade difícil de aumentar. Também ressaltamos a importância da atividade física, desde que não haja nenhuma outra contraindicação.”

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5
Como será depois do nascimento?

Dr. Wagner responde: “Muitas pacientes têm dúvidas sobre como identificar depressão gestacional, pós-parto e revelam preocupação sobre como será a amamentação de gêmeos. Imaginam que vá ser difícil devido à questão dos hormônios e também pela logística com dois bebês. É uma pergunta muito mais frequente não só pela questão hormonal mas também pelo desgaste físico e emocional. É claro que tudo isso vai depender muito do suporte e do apoio que estas novas mães vão ter em casa, tanto na parte profissional (se puderem contratar alguém para ajudar) ou de eventualmente a família estar presente como apoio. Quanto à depressão, é muito comum as novas mães confundirem o blues puerperal (tristeza pós-parto), episódio bem frequente que acontece ao redor do quinto ao décimo dia de vida dos bebês, que justamente por uma queda hormonal abrupta deixa a mulher mais emotiva, mais irritada e mais frágil nesse sentido emocional, mas é uma situação que passa sozinha. Já a depressão pós-parto geralmente acontece em período um pouco mais tardio, é uma situação mais arrastada e que não se resolve sozinha. Inclui choro crônico, desânimo, falta de disposição de fazer as coisas, falta de vontade de fazer as coisas que inclusive antes davam prazer… Em casos mais graves, acaba até rejeitando de alguma maneira os bebês. Então é importante que seja diagnosticado precocemente para que o tratamento possa ser feito também o quanto antes.”

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