Um é pouco, dois é bom… três é demais! O ditado se aplica ao dia a dia de quem cuida de trigêmeos.

Desde a notícia dos muitos corações batendo até a gravidez cercada de cuidados e a rotina atribulada, a vida com três filhos da mesma idade gera curiosidade demais.

Conversamos com duas mães que cuidam de três crianças e têm muitas histórias para contar. Em comum, ambas relatam que deixaram a carreira de lado para se dedicar aos bebês nos primeiros anos de vida e que realmente “faltam braços” em vários momentos para atender a todos, mas que as emoções também chegam em dose tripla. Conheça agora a vida das mães Greice Herrmann, 38 anos, de Canela (mãe de Carolina, Érica e Lucas , 5 anos) e Raquel Cristina Pasa Eggers, 39 anos, de Porto Alegre (mãe de Lara, Sofia e Rafael, 7 anos).

A descoberta de que seriam + de 2

Em 2013, Greice Herrmann e o marido recorreram à reprodução assistida para serem pai e mãe. Dois embriões foram implantados, de maneira que o casal já sabia que viriam pelo menos dois bebês. Eram mais: a ecografia confirmou que primeiro seriam 3 bebês, depois outro exame mostrou que na verdade eram 4 bebês na barriga.

– A gente brincava dizendo para as pessoas que iria parar de fazer as ecos, porque senão onde isso iria parar? Cada vez aumentava mais – brinca Greice.

Também Raquel Eggers passou pela mesma experiência de surpresa ao ver mais de um coração batendo na primeira ecografia. Ao ser perguntada pela médica se havia induzido a gravidez, o que não havia ocorrido, já imaginou que seria mais de um bebê. A surpresa de serem três deixou o marido, Beto, completamente mudo (e ele é o mais falante da casa). Raquel não conseguia parar de rir e tremia.

–  Quando Beto conseguiu falar, a única coisa que conseguiu dizer foi que iria pedir emprestadas as cadeirinhas da Fátima Bernardes. Não só as cadeirinhas, mas também o carro dela – lembra Raquel, rindo.

A reação das pessoas sobre a espera de trigêmeos

A mãe de Raquel é pediatra e, ao receber a notícia de que seria avó de trigêmeos, ficou sem palavras. O pai e futuro avô ficou preocupadíssimo. A primeira coisa que perguntou à filha foi: “Mas não é perigoso?”. Também o resto dos amigos e familiares se preocupava.

– Me diziam: “Não sei se te dou os parabéns, não sei o que te falar.” E sempre aquele discurso: eu não consigo nem com um, imagina tu com três”. Ficava todo mundo abismado.

A gravidez de múltiplos sempre exige mais cuidados

A gestação de quadrigêmeos de Greice foi serena e tranquila, com raras saídas de casa, somente para médicos e exames, o restante do período em repouso, com banhos rápidos e sentada nas semanas finais, por conta da dor. No total, engordou 18 quilos e a circunferência do abdômen chegou a 107cm. Falta de ar e dificuldades para se alimentar eram constantes, e Greice chegou a circular de cadeira de rodas porque ficar de pé era mais complicado. Lamenta ter tirado poucas fotos por conta do repouso, mas entre as que foi possível, esta do casal com 4 pares de sapatinhos é de emocionar <3

gravidez greice quadrigemeos
Greice com 24 semanas de gestação (os quadri nasceram com 29 semanas)

Raquel conta que sua gravidez foi tranquila, tendo repouso absoluto indicado só no último mês. Precisou fazer uma “dieta de engorda”, para ganhar mais peso. A barriga ficou tão esticada que ela conta que “sentia que a minha pele estava se rasgando nos últimos dias”.

– Eu literalmente segurava a minha barriga pra caminhar. A impressão que eu tinha era que eu tinha três balões de água dentro da minha barriga, era muito estranho até para andar de carro. Fora os chutes, não sei nem de que lado vinham, pressionava pra respirar – recorda Raquel.

Raquel com 28 semanas de gestação

O momento mais crucial: o nascimento de múltiplos

A gestação de quadrigêmeos de Greice seguiu até as 29 semanas. Ela deu à luz duas meninas e dois meninos, Carolina, Vinícius, Érica e Lucas, que nasceram com um minuto de diferença cada um, os quatro somando 4.645 quilos.

– Quem ia nomeando os bebês era meu marido, eu só escutava o chorinho de cada um ao nascer, mas não pude vê-los, o pediatra responsável por cada um levava para a UTI imediatamente – conta Greice, que passou pela dor do óbito de Vinicius dois dias após o nascimento. – Passamos por momentos muito difíceis, mas Deus nos deu forças para seguir em frente. A dor era indescritível, mas tínhamos que ser fortes pois nossos outros três filhos precisavam de nós – relembra.

Os demais 3 bebês ficaram 49 dias na UTI, outra dor superada com muita fé e otimismo do casal.

trigemeos bebês greice
Os três pacotinhos de Greice com 50 dias de vida

Com 32 semanas de gestação, Raquel foi tomar banho, também sentada, quando sentiu que uma das bolsas se rompeu. Foi internada e lembra do obstetra ter soltado uma pérola após a anestesia: “Também estou nervoso”. E isso que a meta havia sido batida, que era chegar a 30 semanas e os bebês com pelo menos 1 kg. E então nasceram Rafael e as univitelinas Lara e Sofia.

A situação de prematuridade também levou o trio à UTI, cada um em seu ritmo de desenvolvimento. Lara chegou a ficar 45 dias na neonatal, Sofia precisou fazer uma cirurgia delicada no intestino, Rafael também ficou internado. Por um período, quando só dois tiveram alta, Raquel ficou com a difícil rotina de ficar um pouco em casa com dois, amamentar, ir para o hospital, depois retornar para cada, repetir tudo novamente, indo e voltando da casa ao hospital. Períodos difíceis para as duas mães de múltiplos, como a gente aqui da Me Two sabe bem e se solidariza! #forçagurias

raquel trigemeos3

Ter ajuda em casa é considerado FUNDAMENTAL

Greice e o marido tinham uma babá noturna nos primeiros tempos. Durante o dia, ela cuidava dos três. Mamavam e tinhas as fraldas trocadas de três em três horas. Greice chegou a fazer as contas: levava meia hora com cada um, totalizando 1 hora e meia (na outra 1 hora e meia, conseguia descansar, pois os filhos “eram bem queridos e dormiam bastante”, recorda a mãe). Para que o acompanhamento diário, criou uma planilha para anotar as mamadas, as medicações, as troca de fraldas… O recurso da tabela foi usado durante três anos.

– Também criei um manual de babás, pois com o tempo tivemos que contratar mais de uma e para que todas seguissem a mesma metodologia, achei melhor – relata Greice.

trigêmeos bebês greice
Os trigêmeos de Greice com 6 meses de idade

Raquel em casa sempre esteve praticamente todo o tempo acompanhada, com babá diurna e mais outra noturna, além da mãe que veio para ajudar. Lembra que em um período de manhã e outro no fim da tarde (das 7h às 8h e das 18h às 19h) ficava sozinha na troca de turno das funcionárias.

– Para tomar café, lembro que colocava os 3 bebês-conforto em cima da mesa e ficava falando com
eles e comendo. À tardinha, deixava no carrinho. Já teve aquela cena clássica de ficar com uma das gurias em cada braço e empurrando o carrinho do Rafa com o pé – recorda Raquel.

trigemeos raquel
O trio de Raquel na hora do “mamá”

Organização é palavra-chave quando são pequenos

A organização de Greice começou com uma planilha de enxoval, listando tudo que precisariam durante o primeiro ano, separando por segmento, por exemplo: quarto, higiene, vestuário… Um chá de bebê dos quadrigêmeos ajudou a arrecadar com amigos e familiares fraldas e utensílios de banho e higiene. Foi o maior sucesso! Por muitos meses, o casal não precisou comprar fraldas, xampu, sabonete… Para montar o quartinho na casa em Canela, mandaram fazer míni-berços, pois não cabiam os de tamanho normal no quarto.

E as casas com “espaço kids” por tudo

Raquel lembra que a sala do apartamento quando os “tris” eram menores virou uma sala de brinquedos.

– Eu não tinha mais tapete, eu tinha um tatame na sala, era brinquedo espalhado pela sala inteira. Para as sonecas do meio do dia, eu nem levava eles pra cama, deixava ali no tatame com os edredons em cima. E assim se acostumaram.

Passar o dia de pijama até a hora de almoçar era algo normal nos primeiros tempos também.

– Era o dia inteiro em função deles. Teve um dia que tinha nove mamadeiras sujas em cima da pia. Quando olhava aquilo, ter que lavar tudo aquilo, dá vontade de chorar. Mas é divertido lembrar de todas essas coisas – lembra Raquel.

Ser mãe de tri, um trabalho 24 horas por dia

Greice é administradora, mas parou de trabalhar quando descobriu que esperava quadrigêmeos. Abraçou a carreira de mãe e hoje tem um mantra a compartilhar, que resume seu dia a dia:

– Dizem que ser mãe é padecer no paraíso, eu costumo dizer que devemos aproveitar o paraíso, e não padecer nele.

trigêmeos greice canela
Greice e os bebês com 18 meses

Raquel é farmacêutica bioquímica, e atualmente se apresenta como “mãe e motorista”. Ao engravidar, achou que ficaria parada por seis meses, no máximo um ano (se viesse um só bebê). Diz que está acostumada a chamar a atenção quando sai de casa. Perguntam: como você se vira com três?

– Fácil não fica nunca! Hehehehe. Sempre continua faltando braço. Os três querem atenção ao mesmo tempo.

trigêmeos raquel
Raquel e os “tri” em viagem recente

Tudo fica diferente conforme o passar do tempo

Tanto Greice quanto Raquel concordam que cada fase dos trigêmeos é bem distinta da outra. Agora que os de Greice têm 5 anos e os de Raquel têm 7 anos, elas observam que no início o trabalho era mais “braçal” e agora os desafios são de outra natureza. Estão mais grandinhos, mais independentes, então a dedicação das mães é mais mental do que físico.

– Na hora de fazer os temas, o que poderia ser feito em 10 minutos poderia ser feito em duas horas. Contentar a todos, é bem difícil, são personalidades completamente diferentes. E como qualquer irmão, tem dias que se amam, tem dias que se odeiam. Estão todos pedindo sempre muita atenção – resume Raquel. – Cada um tem uma demanda diferente. Tem que entrar no pique, não tem outra alternativa! Dá-se um jeito para tudo! Só tem que cuidar para não pirar!

trigêmeos raquel lara sofia rafael
Lara, Rafael e Sofia, os tris de Raquel

LEIA TAMBÉM
@@ COMO É SER MÃE DE TRIGÊMEOS AOS 40
@@ O QUE APRENDI SENDO PAI DE 5 (DOIS MENINOS + TRIGÊMEAS)