A Me Two convidou a mamãe das gêmeas Cecília e Laura , Tanani Munari, para contar a jornada de luta diária, dedicação e amor desde o nascimento prematuro das bebês.

Tanani, Cecília e Laura.

Confira:

 

A descoberta da gestação:

“Quando descobri que estava grávida de gêmeos foi um susto. Já estava com o casamento marcado e o meu médico havia dito que eu levaria em torno de seis meses a um ano para engravidar. E, por isso, como eu casaria em outubro, resolvi parar de tomar pílula em agosto. O que aconteceu? Descobri a gravidez gemelar! Segundo o médico, engravidei de sete a dez dias após o término da pílula. Estava muito feliz por serem duas, porque eu já estava com 37 anos, então foi uma benção.
Depois disso, eu descobri que a minha gravidez era de risco, como toda gestação gemelar. E no meu caso, em função do colo não ser muito grande, tive que fazer repouso total com 4 meses de gestação pelo risco das meninas nascerem antes, mesmo prevenindo com medicação e fazendo todos os exames. Por eu ser uma pessoa que trabalhava bastante tive que mudar toda a minha rotina em função disso, mas não me arrependo nem um pouco, cada minuto valeu a pena por essa causa tão valiosa.

 

As primeiras contrações

Considerando minha gravidez ser de risco, a médica teve que trocar a via de administração da medicação e, em 24 horas, comecei a ter contrações. Nesse momento eu percebi que a chegada delas estava se aproximando. Com isso, a médica começou a buscar vaga na UTI Neonatal de um grande hospital em Porto Alegre, no qual ela atendia. Como não conseguimos, voltei para casa, mas as contrações estavam cada vez mais intensas, situação que me faz voltar para o hospital. Chegando lá, já estava com oito centímetros de dilatação, ou seja, o meu caso era de emergência.

Sala de parto:

Já correndo para sala de parto tive que decidir entre parto normal ou cesariana. Acabei optando pela cesárea. Meu marido, que na época estava trabalhando em Caxias do Sul, conseguiu chegar a tempo de assistir o momento do nascimento das meninas.

O momento do nascimento:

Cecília e Laura na UTI Neonatal do hospital.

O momento do nascimento foi único. Mesmo que não tenha tido a oportunidade do meu marido apresentá-las a família e tirar as tradicionais fotos na “vitrine” do hospital em questão.
O que aconteceu foi bem a realidade de um parto gemelar prematuro, ou seja, eu não estava preparada para ter as meninas. Foi um parto de emergência (cesariana) e logo após o nascimento me disseram que elas estavam bem e as levaram.
Não fiquei traumatizada com o ocorrido. Claro que é ruim não ter os teus filhos no colo, pois perdi aquele momento mais importante, o primeiro contato de estar com elas, de sentir o primeiro cheiro do filho. Nosso primeiro contato foi muito breve.
Logo que nasceram foram levadas para uma sala separada e meu marido foi providenciar ambulância, já que neste hosptial não tinha vaga na UTI Neonatal. Além de tudo, naquele momento crítico, tivemos que escolher outro hospital para serem atendidas. Optamos por um hospital referencia na América Latina no tratamento com prematuridade.
Foi uma experiência que me fez refletir muito e trouxe bastante aprendizado: valorizar a vida e ser mais grata. Também tive que me superar, ser bem forte, desejando que elas realmente estivessem bem. O único contato que eu tinha com minhas filhas era através das fotos, já que eu estava em um hospital e elas em outro.

Após o Nascimento das gêmeas Cecília e Laura:

Laura e Cecília na UTI Neonatal

As meninas nasceram no dia 24 de março de 2016 às 1:20 da manhã. No dia seguinte fui liberada do hospital. O principal motivo foi que eu precisava ver minhas filhas e amamentá-las. E com toda a preocupação delas serem prematuras, a amamentação era ainda mais indicada para ganharem peso  e melhorarem o mais rápido possível.

Tentei ter bastante força, mas quando vi as minhas filhas no início, principalmente, a Laura que pesava 1kg e 480g, foi difícil. Aquela bebezinha parecia ser tão frágil, bem pequena e cheia de aparelhos, já que elas se alimentavam por sonda. Aqueles momentos foram bem delicados. Tentei sempre não demostrar fraqueza por elas. Fiz o meu primeiro canguru naquele mesmo dia, sentada em uma cadeira de rodas, porque não conseguia nem andar.

Se foi uma experiência difícil? Sim, foi muito difícil, mas nada que com luta não se consiga resolver!

Apoio da Confraria das Mães de Gêmeos – Me Two:

Tanani entre colegas farmacêuticas e mães de gêmeos que fazem parte da Confraria das Mães de Gêmeos do RS.

Através do grupo da confraria com outras mães de gêmeos eu consegui encontrar um conforto. Com toda esta experiência nova que estava vivenciando, por muitas delas terem vivido uma situação quase idêntica a minha, conseguia me espelhar e tirava várias dúvidas que muitas vezes só consegui ter a resposta por outra mãe que já tinha passado pela mesma situação.

 

 

 

 

 

A recuperação das gêmeas:

12 horas depois do nascimento as gêmeas começam a respirar sozinhas. O que foi mais difícil nisto tudo foi que fiquei 28 dias seguidos dentro da UTI da neonatal. Eu entrava às 7 horas da manhã e saía às 10 horas da noite para poder alimentar as minhas filhas exclusivamente com leite materno.

As pessoas me informaram que seria muito cansativo toda esta rotina, mas valeu muito a pena. Foi uma superação total minha e das meninas, pois, aos poucos, fui conseguindo aumentar a dose de leite materno que elas tomavam e consegui amamentá-las. As gêmeas passaram a se alimentar duas vezes durante a madrugada, por isso elas passaram a tomar uma dose da fórmula, isso quando eu não conseguia tirar mais leite para amamentar elas durante a noite.  Segundo os médicos, em função desse meu esforço em tentar amamentar as gêmeas o máximo possível só com o leite materno, elas acabaram tendo alta 25 dias após o nascimento.

A alta hospitalar – o desespero:

 

Foi em um feriado de sexta-feira que eu recebi a notícia do médico que as gêmeas, poderiam ser liberadas. Entrei em desespero, pensei “como assim eu vou levar elas pra casa?”, não estava esperando, pois a Cecília estava com 1kg e 900g e a Laura com 1kg e 880g. Elas tinham 20 gramas de diferença, mas nenhuma delas tinha 2 kg, o que havia sido previsto para podermos ir pra casa, porém o médico falou que em função de toda minha dedicação com as gêmeas, que estavam muito bem, e que não tinha nenhum receio em dar alta.

 

A chegada a casa:

Laura e Cecília no ensaio “new born” já aos 40 dias de vida, em casa.

Com menos de 2kg cada e minúsculas dentro do bebê conforto foi uma alegria indescritível chegar em casa com os nossos dois tesouros, a nossa fortuna. Porém, mesmo de volta a casa, tivemos que fazer alguns exames bem específicos por terem nascido com 32 semanas que me deixavam muitos ansiosa, principalmente, quando havia a demora do resultado, não conseguia dormir, foi um período bem difícil.  Imagina: mãe de primeira viagem, ainda de gêmeas prematuras.  Eu não sabia o que fazer exatamente. Elas dormiam no mesmo berço, eu e o meu marido ficávamos nos revezando durante a noite toda com o medo que algo pudesse acontecer. Tivemos sempre o máximo de cuidado que podíamos com elas.

 

Por fim, fomos procurar ajuda com pessoas de confiança. Duas enfermeiras do hospital nos ajudaram nos cuidados com as gêmeas: três vezes durante a semana – e mais tarde diminuímos para duas. O início foi bem delicado, eu acordava de três em três horas para amamentar elas e esperava 20 minutos para fazerem a digestão e depois colocava no berço, e no dia que as enfermeiras estavam, eu amamentava e depois descansava. Com um mês elas começaram a tomar fórmula, optei nas mamadas da noite.

Laura, a minha G1, se alimentava praticamente só no peito, já a Cecília, aceitava a mamadeira. Isso me preocupou bastante porque eu voltei a trabalhar quando as meninas já estavam com 4 meses.

Eu estava bem angustiada com a situação da Laurinha que não aceitava o bico (chupeta) e nem a mamadeira, mas com o tempo ela foi se adaptando.

 Deixar de amamentar:

Quando elas estavam com seis meses, parei de amamentar as duas. Foi algo bem natural, elas deixaram de ter interesse pelo peito. Nestes seis meses foram mais complicados porque elas demandavam um cuidado extra, ainda mais que a G1 e a G2 eram completamente diferente uma da outra desde início. Com 95 dias, a Laura começou a dormir a noite inteira e a Cecília demorou mais. E quando completaram 6 meses, o médico disse que elas não eram mais prematuras e que já estavam se desenvolvendo normalmente.

Período de superação:

Eu sei que tem gente que passa por uma luta mais árdua do que a nossa, porém foi bem difícil este período. Considero que foi uma fase de superação, de extrema dedicação à elas e que conseguimos colher os frutos com o melhor resultado possível. As meninas têm um desenvolvimento surpreendente. Com 9/10 meses já começavam a falar as primeiras palavras, “mamãe”, “papai” e “vovô”. E acredito que todo este desenvolvimento foi em função do nosso esforço e da confiança que tínhamos.  Começaram na escola com 1 ano e 10 meses.

Cecília e Laura no aniversário de 2 anos. Hoje elas têm 2 anos e 2 meses.

Sempre tentei ficar o mais tranquila possível para passar para elas. No momento do nascimento, logo  que tiraram elas de mim e mostram que estavam bem, pensei “graças a Deus estão bem ” e eu rezando sempre.  Em momento algum eu chorei. O que sempre fiz foi agradecer a Deus e pedir que Ele para ter muita força e cuidar delas. Não é fácil ver tudo que passaram: aquele processo da retirada da sonda e colocar de novo, etc. Foi uma luta diária com um resultado excelente e hoje elas estão super bem e são tudo para mim.”

Por Tanani Munari.

Tanani Munari é mãe das gêmeas Laura e Cecília, casada com Rafael Marcarini e farmacêutica. Contato: tatimunari@gmail.com

Tanani Munari as gêmeas Laura e Cecília e o marido, Rafael Marcarini.