A inspiração da Me Two hoje é mamãe dos gêmeos Lucas e Vitor , Graziela Tizoni Cescon, que nos conta a sua jornada de luta, dedicação e afeto na amamentação dos filhos, hoje com 1 ano e 11 meses.

Confira:

Graziela Tizoni Cescon e os gêmeos Lucas e Vitor

O início da jornada:

Primeiro dia da amamentação dos gêmeos Lucas e Vitor.

Quando fiquei grávida, amamentar era algo que eu estava determinada a fazer. Coisa mais natural do mundo, pensava eu, com minha formação em veterinária, uma fêmea mamífera dar leite ao seu filhote. Não se passaram muitos dias para eu descobrir que eram gêmeos, foi aí que minha autoconfiança começou a esmorecer, até porque não tinha uma pessoa que eu conhecia no mundo todo que tinha tido dois bebês ao mesmo tempo e não tinha dado mamadeira. Foi então que eu comecei a estudar um pouco sobre amamentação e gravidez de múltiplos, mas o bicho pegou mesmo quando eles nasceram. Foi em um sábado pela manhã, cesariana agendada, já com 38 semanas de gestação, quando recebi meus bebês no colo e os coloquei no peito. O Lucas de cara já pegou o seio, ele foi extraordinário no sentido literal da palavra, fora do normal, pegou o peito muito bem. Já o Vitor foi outra história, ele ficava com a boca mole, não sugava, chorava, se irritava, demorava muito para pegar, mas depois de umas brigas, mamava.
Ainda no hospital já comecei a me apavorar, pois quando as enfermeiras vinham e apertavam meu peito (sim, elas fazem isso sem nenhuma vergonha) só saía uma gotinha de cada um, então, fui levada a crer que eu tinha pouco leite. Portanto,  já comecei a tomar um remédio que pode ter o efeito colateral de aumentar a produção de leite, afinal, pouquíssimas mulheres conseguem amamentar dois bebês (pensava eu, e mais todas pessoas que tive contato no hospital).

Com o tempo, fiz uma descoberta incrível, que me deixou muito aliviada e ao mesmo tempo muito irritada: a maioria das mulheres demora para ter leite, mesmo as que fazem parto normal. O leite demora 3 a 5 dias para “descer”, o que temos no inicio é o colostro, são poucas gotinhas mesmo, de um líquido riquíssimo em proteínas e imunoglobulinas.

As dificuldades e as dúvidas:

Descobri também que no estômago do recém-nascido cabem só 5 ml. Então, a quantidade de leite que eu tinha naqueles primeiros dias estava certa, o  que me deixou bem irritada. Por que que ninguém me disse isso? Nem as enfermeiras, nem a pediatra, nem a obstetra? Me deixaram pensando que eu não teria leite suficiente mesmo.
Mas quanto mais adversidades eu encontrava, mais eu estudava e consultava outras mães. Era difícil, claro, eu estava exausta, sem dormir, sem saber o que era melhor para meus meninos, em um ambiente estranho. Mas eu tinha o celular e grupos em redes sociais, os quais eu fortemente recomendo para mães de primeira viagem: eles fazem a gente se sentir normal, vemos que todas têm as mesmas dúvidas, etc.
Confesso, autorizei que dessem fórmula para eles no copinho no hospital por duas noites, para poder dormir um pouquinho mais. Eu me lembro da minha tranquilidade quando fiz isso, achando que seria o curso natural das coisas, peito e fórmula. Depois descobri que o leite artificial, quando dado muito cedo para o bebê, pode ser visto como um invasor por seu corpo e fazer com que ele desenvolva alergia a proteína do leite de vaca. Pesquisei estudos que provaram que o seu intestino ainda não está bem desenvolvido, ainda é muito permeável, e a proteína do leite pode acabar entrando na corrente sanguínea e o corpo criar imunidade contra ela, como criaria contra qualquer invasor.

As primeiras semanas em casa com os gêmeos:

Os gêmeos Lucas e Vitor

Fomos para casa já com a lata de leite comprada. Caso tivessem fome, eu daria o leite artificial, mas eu estava determinada a dar no copinho, como deram as enfermeiras no hospital, pois eu já tinha lido muito sobre confusão de bicos e como a mamadeira pode prejudicar a amamentação. Para ajudar um pouco mais, eu também estava com a cabeça feita em relação a bicos (chupetas), eles não iriam chupar bico, custe o que custasse, ponto final. O bebê chupar bico aumenta muito a chance de desmame precoce, pois ele pensa que está no peito e fica quietinho, deixando de mamar no seio e fazer o estímulo da produção de leite.
Bom, como previsto, no final da primeira semana de vida deles eu estava com tanto leite que empedrou tudo, tive que fazer vários procedimentos para desmanchar os nódulos e parei de tomar o medicamento receitado.Em dois dias já estava tudo normal.

Quando eles tinham 20 dias, eu estava no auge da exaustão e o Vitor continuava com dificuldades de pegar o seio, demorava 20, 30, 40 minutos para fazer a pega, eu não aguentava mais, então chamamos uma Consultora de Amamentação para nos ajudar. Ela foi essencial e deu várias dicas: uma delas foi de não forçar ele até o seio, deixar que ele fizesse a pega sozinho. Outra foi que eu não precisava amamentar sempre os dois ao mesmo tempo, como fazíamos até então. Eu podia amamentar só o Vitor de vez em quando, podendo dar mais atenção a ele e corrigir a pega. Ela também sugeriu que eu limpasse o óleo que eu usava do bico do seio antes de cada mamada, para ficar menos escorregadio.

Assim fomos indo muito bem, cada vez que íamos ao pediatra eu recebia os parabéns pelo ganho de peso e por dar só leite do peito. A doutora frisava como eu era rara e dedicada por amamentar gêmeos exclusivamente, mas eu só pensava que eu estava fazendo meu trabalho de mãe, nada de mais, nunca me achei especial por isso. Mas na consulta dos 3 meses foi que meu mundo caiu, eles tinham engordado só 80% do que deveriam, e pasmem, já foi motivo suficiente para a pediatra indicar o uso da fórmula infantil. Me senti péssima, confusa, com medo que minha teimosia em dar só peito estivesse prejudicando os gêmeos. Foi então que eu cedi um pouco, começamos a dar 90 mL de fórmula no copinho três vezes por dia. Essa foi a quantidade que eu determinei para que esse suplemento não influenciasse na minha produção de leite.

A alimentação dos bebês após os 6 meses e todo o apoio familiar:

Graziela passeando com os filhos Vitor e Lucas

Já com 6 meses de idade iniciamos a introdução alimentar, e com 9 meses de idade eu tirei completamente a fórmula e segui dando só o peito como fonte de leite. Nesse período de fórmula usei a mamadeira só durante um mês para um dos nenês, depois consegui convencê-lo de tomar no copinho como o outro já fazia desde o início. Li vários estudos que comprovavam que o uso de mamadeira e bicos artificiais era a maior causa de desmame precoce (antes de dois anos de idade) e, de novo, teimei que os guris não usariam desses artifícios. Eu digo “teimei”, porque boa parte das pessoas não sabe que o Ministério da Saúde recomenda a amamentação até os dois anos OU MAIS, não sabe (ou não quer acreditar) que a mamadeira e o bico causam desmame e não tem o conhecimento de que quanto mais uma criança é amamentada, mais inteligente ela será e menor a chance dela ter obesidade infantil e asma.
Claro, eu tenho consciência que eu sou uma privilegiada, meus guris nasceram de 38 semanas, super bem e com bom peso. Com ajuda de meu marido e minha mãe eu fiquei em casa com eles até completarem um ano e meio de idade. Eu tive e ainda tenho suporte emocional da minha família para continuar com a amamentação. Hoje todos entendem e apoiam minha determinação. Agora eu já voltei a trabalhar e ainda os amamento em livre demanda quando estou em casa. Nossa história está completando um ano e 11 meses de muito  “mamar” e dedicação.