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Mãe do Rafael e Arthur, Letícia Salomão conta como transformou em superação e leveza a luta pela saúde do filho, com paralisia cerebral. Hoje, os gêmeos aprendem um com outro e ensinam muito aos pais

Tatiana Lemos

Mãe dos gêmeos Arthur e Rafael, hoje com quatro anos, a Letícia Salomão enfrentou um dos grandes sustos de uma gestação de risco. O nascimento prematuro dos filhos, com 29 semanas, provocou uma hemorragia cerebral no Arthur, descoberta aos 10 dias de vida. “Naquele momento nós sofremos, mas lidamos com isso de uma forma muito esperançosa, de que ele não teria nenhuma sequela muito grave”, lembra. O gêmeo Rafael não teve sequelas, mas também passou um tempo na UTI neonatal. Somente após 79 dias no Hospital, a família pôde finalmente voltar para casa.

Com seis meses de vida, o Arthur começou a apresentar enrijecimento muscular e, então, confirmou-se o diagnóstico de paralisia cerebral. Mais uma vez, a vida mudava o rumo para aquela família que recém se adaptava às planilhas e à rotina com dois bebês. “A partir daí a nossa vida se transformou”, conta. “Eu vi que eu não podia ficar ali chorando, buscando informações na internet, que de nada adiantaria para o meu filho”. A Letícia transformou o luto em aceitação e, depois, em luta. Luta essa que só uniu mais a família e trouxe para perto muitos novos amigos.

No vídeo abaixo, a Letícia conta um pouco mais dessa história cheia de luta, leveza e superação:

 

A história deles se tornou conhecida nas redes sociais e gerou a mobilização de milhares de pessoas para arrecadar fundos para uma cirurgia capaz de melhorar a capacidade de locomoção do Arthur.

A campanha #vaiarthur foi lançada em abril de 2017 e arrecadou, em três meses, cerca de R$ 250 mil para a realização da Rizotomia Dorsal Seletiva, nos Estados Unidos. “A exposição da deficiência do Arthur nos aproximou das pessoas, de uma forma geral, para elas entenderem que a gente pode ser feliz, não da forma como a gente idealiza num primeiro momento. Ele é especial do jeitinho dele, nos traz aprendizados da forma que ele veio pra nós”.

Campanha Vai Arthur contou com uma corrida. Na foto o pai, Rodrigo com o Arthur no colo.

A cirurgia foi feita e o menino Arthur já demonstra grandes avanços em seus movimentos. Brinca com o irmão Rafa e tem nele sua grande inspiração.

 

 

 

 

 

 

Em constante adaptação

Toda essa dedicação em torno da saúde do Arthur gera, ainda, outro grande desafio para a mãe. O Rafael, como qualquer outra criança, começou a pedir mais atenção e sentiu, em alguns momentos, a ausência dos pais. A família recorreu à ajuda de uma psicóloga para lidar com essas questões e segue se ajustando. Como diz a Letícia, com filhos, é preciso estar sempre se adaptando.
“Hoje o nosso maior desafio é dividir a atenção entre Arthur e Rafa, tratar eles de forma igual”, conta.

Letícia Salomão com os gêmeos Arthur e Rafael.

Conciliar as rotinas tão diferentes dos gêmeos exige bastante flexibilidade. Agora, os dois vão à escola no turno da manhã, e Arthur frequenta as terapias no turno da tarde. Já houve uma época em que somente o Rafael ia para a escola, enquanto Arthur ficava em casa. A Leticia também voltou ao trabalho após um ano e meio de dedicação exclusiva aos meninos. O ritmo é intenso, mas quem encontra a Leticia vê nela o semblante leve de uma mãe realizada, que aprendeu a não sofrer com coisas pequenas e a valorizar todas as conquistas dos seus pequenos, que se complementam e se inspiram mutuamente:

“O Arthur traz pro irmão todo esse lado amoroso, carinhoso. Ele passa uma tranquilidade que é uma coisa que o Rafa precisa. O Rafael inspira o Arthur a se desafiar, todas as questões motoras que ele não consegue fazer. Eu sempre digo que o Rafael foi o melhor presente que o Arthur poderia receber nessa vida, porque ele vê no mano tudo aquilo que ele pode fazer”.

 

Asssista também o vídeo da mãe de trigêmeos , Cris Ryff, contando como é ter trigêmeos aos 40.  Clique aqui.